Em Guaratiba, R$ 500 mil foram 'pelo ralo' com mudança de última hora

Vigília e missa saem do bairro da Zona Oeste para a Praia de Copacabana em mais uma mudança de supetão

Por tamyres.matos

Rio - A chuva fina que cai no Rio desde terça-feira alagou mais ainda o Campus Fidei, em Guaratiba, e os principais eventos da Jornada Mundial da Juventude, que seriam realizados lá amanhã e domingo, foram transferidos para a Praia de Copacabana.

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A prefeitura afirma ter investido R$ 6 milhões em serviços de drenagem de rios, além da instalação de redes elétricas, recapeamento de asfalto e outros serviços no entorno do campus, que ficarão como legado para os moradores da região.

Mas R$ 500 mil, pelo menos, foram jogados no lixo. O dinheiro foi empregado na construção de quatro passarelas provisórias para facilitar o acesso.

Com a chuva desde o início da semana%2C a área destinada ao público no Campus Fidei ficou cheia de lama%3A falta de planejamento e desorganizaçãoUanderson Fernandes / Agência O Dia

Quinze carretas carregadas com kits-alimentação são outra preocupação do COL. O material seria distribuído no trajeto de 13 quilômetros em Guaratiba, e ainda não se sabe qual a maneira de entregar os kits em Copacabana.

O anúncio da mudança de local da vigília e da Santa Missa foi feito ontem à tarde pelo prefeito Eduardo Paes e caiu como uma bomba para moradores dos dois bairros, além de peregrinos. Um dos principais problemas do improviso é que não haverá esquema especial de transportes de peregrinos entre as zonas Oeste e Sul. A medida prejudica principamente os hospedados na Zona Oeste.

“Não foi só inviabilidade estética. As chuvas podiam colocar a saúde das pessoas em risco”, afirmou o prefeito. O Comitê Organizador Local (COL) da Jornada não disse quanto foi gasto na infraestrutura construída em Guaratiba. Cita apenas o valor total empregado no evento: R$ 300 milhões — 60% a 70% dos recursos vieram das contribuições dos fiéis inscritos. Fonte do COL, no entanto, garantiu que só a terraplanagem do Campus Fidei tinha estimativa de custar R$ 22 milhões.

Saída seria usar técnica feita em gramados

Para o arquiteto urbanístico Pedro da Luz Moreira, diretor do Instituto dos Arquitetos do Brasil e professor da UFF, o recurso que se usa para drenagem em terrenos como o de Guaratiba é o mesmo empregado em campos de futebol.

“Cavam-se valas na área, nas quais são inseridas manilhas do tipo espinha de peixe. Depois, essas manilhas são envelopadas com brita, recobertas com gel têxtil e as valas são fechadas. Quando chove, a água escorre para essas manilhas e caminha em direção a um rio. Por cima, põe-se areia lavada ou grama”, ensina Pedro.

Um ano e meio de trabalho

O choro tomou conta ontem das pessoas que fazem a organização da vigília e da missa de encerramento da Jornada em Guaratiba quando foi anunciada a transferência do evento. O clima era de frustração e tristeza, já que desde janeiro de 2012 a equipe trabalhou duro para que o evento fosse realizado na Zona Oeste.

Mas não houve muito tempo para lamentações. Passado o choro, foi a hora de arregaçar as mangas para tentar transferir a estrutura de Guaratiba para Copa. Além da distribuição dos kits, tenta-se uma forma de levar 2 mil banheiros químicos para a praia.

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