Por thiago.antunes
Publicado 27/07/2013 21:10 | Atualizado 28/07/2013 00:42

Rio - A vendedora Cristiane Ximenes, 41 anos, moradora de Copacabana, Zona Sul do Rio, voltava de viagem na tarde deste sábado quando foi surpreendida por um bloqueio na Rua da Passagem, em Botafogo. No local, foi informada por guardas municipais e agentes de trânsito que o táxi em que estava não poderia prosseguir sua rota, pois ela não tinha documentos, como comprovantes de residência, de que morava no bairro.

"Estou sitiada na minha própria cidade. Cheguei 16h40 no local e fiquei argumentando com eles mais de 40 minutos. Eles foram irredutíveis. Me viram com um monte de mala na mão e queriam que eu andasse até a minha casa, subindo duas ladeiras. Eu planejei minha viagem e retorno e não contava com a mudança de Guaratiba para Copacabana. Um dos guardas ainda disse que 'eu tinha que me informar melhor'. Só depois que resolvi brigar pelos meus direitos e pelo de uma senhora que foi impedida de passar pelo mesmo motivo, um agente que estava comandando a operação deu a ordem na minha frente para que os guardas permitissem a passagem de pessoas que estavam voltando de viagem, idosos e deficientes físicos.", relatou Cristiane.

Guardas não deixaram vendedora passarAlexandre Brum / Agência O Dia

A vendedora também denunciou a falta de fiscalização dos operadores. "Qualquer pessoa que passasse de carro por aqui e sacudisse um papal, que podia ou não ser um comprovante de residência, era liberada. Eles nem se deram ao trabalho de verificar se aquele veículo seguia para Copacabana ou qualquer outro lugar ou mesmo de verificar o que os motoristas sacudiam", alertou.

Cristiane aifrmou que não é contra a o evento religioso. "Acho certo ter a Jornada Mundial da Juventude e a visita do Papa, mas as autoridades precisam se preparar melhor. Nenhum cidadão pode ser prejudicado por qualquer evento na cidade", finalizou. 

Em nota, a Guarda Municipal informou "que os agentes seguem orientação de não permitir o acesso para veículos cujos donos não comprovem residência em Copacabana em função da necessidade de organizar o fluxo devido à grande concentração de pessoas no bairro. Na medida do possível, os agentes têm oferecido soluções de maneira a não prejudicar os moradores".

JMJ gerou até agora um sexto do lixo recolhido de Copacabana no réveillon

As três noites de atos centrais da Jornada Mundial da Juventude na Praia de Copacabana geraram juntas um sexto do lixo que a prefeitura costuma recolher na festa de réveillon. A informação foi divulgada neste sábado pelo prefeito do Rio, Eduardo Paes, durante entrevista à imprensa para informar que a JMJ vai quebrar o recorde de público na história da cidade, com uma estimativa de até 3 milhões de pessoas no domingo.

De acordo com o prefeito, 47 toneladas de lixo foram recolhidas na Missa de Abertura, de terça-feira, na Festa de Acolhida do Papa, na quinta-feira, e na Via Sacra, nesta sexta-feira. Paes disse que na festa da passagem de ano, em Copacabana, a Companhia Municipal de Limpeza Urbana costuma recolher 300 toneladas de lixo. De acordo com o prefeito, os fiéis têm mais consciência em relação a manter o local dos eventos limpo.

Isso mostra o espírito de civilidade, o grau de cidadania e de fé dessas pessoas", disse o prefeito, que, apesar das dificuldades de transportes com ônibus e metrô e da exclusão do Campus Fidei (Campo da Fé) da programação, avalia positivamente a JMJ. "Não são muitas as cidades do mundo que têm a condição de receber essa quantidade de peregrinos. Eu diria que o evento é um sucesso. O papa trouxe uma mensagem e um simbolismo que conquistou os cariocas e os cidadãos da região metropolitana".

Católico, o prefeito foi enfático ao elogiar o evento. "Estamos tendo o evento mais bonito da história desta cidade. É emocionante ver os peregrinos. É uma invasão do bem".

Para comentar as manifestações que desde quinta-feira ocorrem também em Copacabana, o prefeito pegou o celular e citou a declaração dada pelo papa Francisco mais cedo. "Entre a indiferença egoísta e os protestos violentos sempre há uma opção possível: o diálogo, o diálogo entre as gerações, o diálogo entre o povo e todos somos povo, a capacidade de dar e receber, permanecendo abertos à verdade. Um país cresce quando suas diversas riquezas culturais dialogam de maneira construtiva", disse.

"Manifestações são algo normal em um país democrático, e graças a Deus o papa está em um país democrático. O papa pode dizer o que pensa e os manifestantes também. Mas a grande manifestação é a dos peregrinos e das pessoas cristãs ou não que estão indo a Copacabana", finalizou.

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