Operários desmontam palcos em Copacabana e Guaratiba

Eventos da Jornada trouxeram alegria e transtornos para bairros

Por thiago.antunes

Rio - Operários iniciaram, na tarde desta segunda-feira, o processo de desmonte dos palcos em Copacabana, Zona Sul do Rio, e Guaratiba, na Zona Oeste, por conta do fim da Jornada Mundial da Juventude. Em Guaratiba, onde foi instalado o Campus Fidei, que receberia missas do Papa Francisco, o terreno acabou não sendo utilizado, o que gerou prejuízos para comerciantes. 

Nesta segunda-feira, o prefeito Eduardo Paes afirmou que um bairro popular será construído no terreno. Em Copacabana, mais de 3 milhões de peregrinos assistiram a celebrações de fé, o que movimentou o bairro e deixou muitos moradores sitiados.

Operários desmontaram um dos palcos em CopacabanaJosé Pedro Monteiro / Agência O Dia

Em entrevista coletiva, Paes disse que vai publicar nesta terça-feira, no Diário Oficial, a desapropriação do terreno em Guaratiba onde seria realizada a Vigília e a Missa do Envio durante a visita do Papa. Durante balanço feito sobre a Jornada Mundial da Juventude, Paes negou que o terreno seja de Área de Preservação Permanente, ou seja, não edificável.

Segundo ele, a Igreja iria ocupar o lugar dentro do que prevê a legislação. O prefeito considera uma absurdo as acusações de que haveria ocupação irregular.

Megaevento em Copa

A Princesinha do Mar é, cada vez mais, a queridinha do Rio de Janeiro. A multidão de aproximadamente 3 milhões de pessoas que tomou conta de Copacabana nos últimos dias da Jornada Mundial da Juventude mostrou, definitivamente, a vocação para receber grandes eventos.

Palcos em Guaratiba não foram usados%3A prejuízos para pequenos comerciantesCarlos Moraes / Agência O Dia

Acostumada a multidões somente no Réveillon ou em shows bissextos, como o dos Rolling Stones em 2006, que também reuniu mais de um milhão de pessoas, o bairro passou por um teste de fogo nesta Jornada Mundial da Juventude.

Ele servirá de exemplo para os próximos eventos na cidade, como a Copa do Mundo no ano que vem e a Olimpíada em 2016. Mas houve reclamação. “Estes eventos são um barato. Agregam valor ao bairro, mas é preciso que venham acompanhados de uma melhor estrutura. Sempre deixamos a desejar em quesitos como limpeza urbana, segurança, transporte” disse Sérgio Rabello, dono do Galeto Sat’s, que há 37 anos recebe turistas do meio-dia às 6h.

Ele lembrou, por exemplo, que a maioria dos banheiros químicos chegou na madrugada de domingo. O corretor de imóveis Pedro Silva tem na ponta do lápis o resultado da valorização do bairro. Uma quitinete de apenas 30 metros quadrados saía por cerca de R$ 180 por dia na semana do Réveillon. Se o turista quiser reservar agora uma semelhante para o próximo Ano-Novo, o preço chega a R$ 230 por dia, na Avenida Atlântica.

O preço é o mesmo para o período da Copa do Mundo, em junho do ano que vem. “É uma valorização sem precedentes. Não dá para fazer previsão agora. O quadro ainda pode mudar bastante até lá”, avalia o corretor.

Alívio com o fim da Jornada

O fim da JMJ foi um alívio para os moradores de Copacabana. Leandro Murad, 30 anos, teve que ficar ilhado em casa enquanto era realizada a Jornada.

A supervisora comercial Adriana Porto, 34, saiu neste domingo pela primeira vez de casa com a família desde que começou a JMJ e disse que teve dificuldades para almoçar no bairro.

“Os restaurantes não aguentaram o volume de peregrinos. As ruas ficaram muito cheias. Tentei ao máximo evitar sair de casa”, contou.

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