Venezuela confirma 724 casos de H1N1, e médicos falam em epidemia

Pelo menos 23 mortes já foram registradas no país, anuncia governo venezuelano

Por juliana.stefanelli

Caracas (Venezuela) - O Governo da Venezuela confirmou que 724 casos de pessoas afetadas com a gripe A (H1N1) no último mês de maio, enquanto representantes da Sociedade Venezuelana de Infectologia disseram nesta quinta-feira que o vírus afeta todo o país, o que reflete uma epidemia com pelo menos 23 mortes.

O boletim epidemiológico mensal do Ministério da Saúde da Venezuela indica que desde o dia 1º até 25 de maio 1.553 mostras foram analisadas, das quais 84,19% das positivas correspondem ao influenza A (H1N1), ou seja, 724 casos.

No entanto, o reporte não indica a quantidade de mortes. O chefe da catedral de Epidemiologia e Saúde Pública da Universidade Central da Venezuela (UCV) e representante da Sociedade Venezuelana de Infectologia, Luis Echezuría, revelou à Agência Efe que registraram casos em 20 dos 23 estados federais e que os mesmos abrangem todos os grupos de idades.

"Passamos de surto a epidemia", indicou. "Está praticamente em todo o território e não há forma de dizer que não é assim porque as mortes estão sendo registradas em todas as entidades federais, com exceção do Distrito Federal (Caracas)", completou Echezuría.

"É do meu conhecimento e do Ministério da Saúde de 23 a 25 mortes", apontou o epidemiologista, que acrescentou que "o que mais chama atenção" é que as mortes estão relacionadas a um grupo de idade que corresponde aos adultos jovens. Segundo o especialista, o mais "natural" é que estas doenças afetem crianças e idosos, mas, diante de uma epidemia, "o padrão muda", e os mais afetados passaram a ser os adultos jovens, "que são os que vão mais à rua".

O pediatra e epidemiologista da UCV Alejandro Rísquez, diz, no entanto, que "a grande maioria" das pessoas que possuem esse vírus não morre por esta causa e especificou que só quatro a seis de cada 100 mil infectados pela influenza A chega a falecer.

Em relação às mortes na Venezuela, Rísquez, que também é representante da Sociedade Venezuelana de Infectologia, assinalou que, apesar dos 700 casos diagnosticados, as projeções devem levar em consideração que a cada pessoa hospitalizada há 9,9 mil indivíduos que tiveram a infecção.

Segundo o pediatra, a maioria dos portadores do vírus não apresenta sintomas. Neste caso, os especialistas indicaram à Agência Efe que o mais conveniente é que se vacine a maioria da população, especialmente as mulheres grávidas.

A ministra da Saúde da Venezuela, Isabel Iturria, pediu calma, para não gerar um "alarme" em torno de uma situação que "qualquer epidemiologista sabe que não tem razão de ser", e indicou que mais de três milhões de venezuelanos foram vacinados contra o vírus há pouco mais de uma semana.

O governo se negou a fornecer números de mortes e só os boletins epidemiológicos de publicação obrigatória ofereceram dados oficiais sobre a situação da doença no país.

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