Obama: Estados Unidos farão intervenção armada na Síria

Mas acrescentou que vai pedir autorização ao Congresso, ainda que sublinhe que teria a prerrogativa para decidir sozinho

Por helio.almeida

Estados Unidos - O presidente norte-americano, Barack Obama, afirmou hoje que decidiu realizar uma "ação militar" contra a Síria após receber provas de que o regime de Bashar al Assad foi o responsável pelo ataque com armas químicas do último dia 21 na periferia de Damasco. Obama fez o anúncio em um pronunciamento no Jardim da Casa Branca acompanhado de seu vice-presidente, Joe Biden.

"Decidi que os Estados Unidos devem levar a cabo uma intervenção armada na Síria", disse Obama, acrescentando que vai pedir autorização ao Congresso, ainda que teria a prerrogativa para decidir sozinho.

"Nós estamos preparados para atacar, em qualquer momento que escolhermos", afirmou o presidente americano. "Não vai ser uma intervenção por terra, não vamos colocar nossas botas no chão".

Obama tinha afirmado na sexta-feira que não tinha tomado ainda uma decisão em relação ao que fazer na Síria - mas depois defendeu um ataque "à medida", que "não envolva tropas no terreno", que tenha um fim à vista.

Antes, o secretário de Estado John Kerry tinha feito um discurso em que concluía: "A História irá julgar-nos duramente se não fizermos nada.” Não atacar depois de toda esta retórica seria no mínimo estranho.

Encontro com Rússia

O Presidente esteve na Suécia nesta segunda-feira. “Não há uma lei a dizer que um presidente não pode ordenar uma acção militar enquanto está no estrangeiro, mas seria estranho.”

Nos dias seguintes piora: vai estar no G20 na Rússia, país que se tem oposto a qualquer acção militar – o Presidente russo, Vladimir Putin, disse que a acusação de que Assad usou armas químicas “é um disparate completo” e que seria “muito triste” se os EUA ordenassem unilateralmente um ataque. Fazê-lo, assim, de território russo seria não só estranho “mas altamente provocador”, sublinha Mardell.

Síria rejeita relatório da ONU

O governo de Damasco afirmou nesta sexta-feira que rejeita "qualquer relatório parcial" da ONU antes que os especialistas em armas químicas do organismo completem sua missão sobre a Síria e pediu que os inspetores visitem as zonas onde soldados do regime teria sido atingidos por gases tóxicos.

Em uma conversa telefônica com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, o ministro sírio de Relações Exteriores, Walid Muallem, exigiu que o relatório espere os "resultados da análise de laboratório das amostras recolhidas" nas localidades que teriam sido atingidas pelos ataques, segundo a agência oficial síria "Sana". Os analistas devem abandonar a Síria nesta segunda e entregar neste mesmo dia um relatório preliminar à ONU sobre as investigações, segundo explicou o secretário-geral das Nações Unidas.

Quase 1,5 mil mortos por gás

O governo americano divulgou nesta sexta-feira um relatório de inteligência que afirma que 1.429 pessoas, entre elas pelo menos 426 crianças, morreram no ataque com armas químicas no dia 21 de agosto na periferia de Damasco. Autoria da ação foi atribuída ao regime sírio.

"Afirmamos com alta confiança que o governo sírio realizou o ataque com armas químicas contra elementos da oposição nos subúrbios de Damasco em 21 de agosto", afirma o relatório divulgado nesta sexta-feira pela Casa Branca.

O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, já havia se pronunciado sobre o fato na segunda-feira. Ele classificou o ataque como uma "obscenidade moral" que deveria chocar a consciência do mundo.

Inspetores da ONU estão na Síria para dar o parecer da situação. Eles devem permanecer no país até o sábado, quando relatarão algumas conclusões para o secretário-geral da instituição, Ban ki-moon.

Uma assinatura que vale muito

Contribua para mantermos um jornalismo profissional, combatendo às fake news e trazendo informações importantes para você formar a sua opinião. Somente com a sua ajuda poderemos continuar produzindo a maior e melhor cobertura sobre tudo o que acontece no nosso Rio de Janeiro.

Assine O Dia