Por adriano.araujo

Damasco - Apesar do acerto entre Rússia e Estados Unidos para que a Síria dê informações sobre seu arsenal de armas químicas, tropas do presidente Bashar al-Assad bombardearam neste domingo redutos rebeldes em Damasco. No entanto, o governo sírio sinalizou que vai cumprir o plano de eliminar armas. O ministro da Informação do país, Omran al-Zoubi, declarou à emissora britânica de televisão ITN que o governo cumprirá o combinado assim que o Conselho de Segurança da ONU aprovar resolução baseada na proposta.

De acordo com o ministro, Assad já prepara os documentos referentes ao plano. “A Síria se compromete com o que vier da ONU. Aceitamos o plano russo para nos livrarmos de nossas armas químicas. Na verdade, já começamos a preparar nossa lista”, confirmou.

Bombardeios e as forças de infantaria do governo da Síria voltaram a alvejar subúrbios de DamascoBassam Khabieh/Reuters

Mas hoje pela manhã, bombardeios e forças de infantaria voltarem a alvejar subúrbios de Damasco em clara mostra de que Assad estaria retomando a guerra contra rebeldes, após recuo em relação ao ataque de 21 de agosto.

A iniciativa provocou a ameaça de um ataque norte-americano à Síria. A estimativa é de que o ataque químico tenha matado apenas centenas de mais de 100 mil mortos na guerra que também forçou um terço da população a deixar suas casas desde 2011.

“É uma proposta inteligente da Rússia para evitar os ataques”, afirmou um apoiador de Assad no porto de Tartous, local de uma base naval russa. “A Rússia vai nos dar armas melhores que armas químicas”.

Um líder da oposição em Damasco refletiu a decepção entre os rebeldes. “Ajudar os sírios significaria acabar com derramamento de sangue”, disse.

Obama troca cartas com iraniano sobre sírios

O presidente Barack Obama afirmou neste domingo ter trocado cartas sobre a Síria com o presidente iraniano eleito Hassan Rouhani. Ele informou ter deixado claro que o fato do Irã manter armamento nuclear é questão muito maior do que o uso de armas químicas na Síria. Obama acredita que os iranianos entenderam o recado de que há saída para resolver a questão pela via diplomática.

Hoje em visita a Jerusalém, o secretário de Estado, John Kerry, alertou que a “ameaça de uso da força é real” caso a Síria não cumpra o plano de destruir as armas. Ele visitou a região para discutir com autoridades israelenses detalhes do acordo feito entre EUA e Rússia.

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