Por juliana.stefanelli

Roma (Itália) - A operação para reerguer o Costa Concordia, navio que há 21 meses naufragou na costa da Ilha de Giglio (centro da Itália), deixando 32 mortos, procede com "precisão" e o casco já se separou das rochas onde ficou encalhado. Um dos responsáveis do projeto, Sergio Girotto, informou que tudo está funcionamento perfeitamente e que já foi superada uma das fases "mais incertas", que era o momento no qual o casco desencalharia.

"As primeiras duas horas eram as mais incertas porque não sabíamos com precisão quanto o navio estava encalhado", explicou Girotto, que confirmou que o gigante navio ainda apoia uma parte na rocha e outra em uma das plataformas que foram construídas.

É a primeira vez que a engenharia enfrenta um desafio desta magnitude devido ao grande peso do cruzeiro e sua posição. O chamado "parbuckling", o termo técnico com o qual é conhecida a operação que fará uma rotação de 65 graus para que o navio volte a estar em posição vertical, começou às 9h locais (4h, horário de Brasília) e durará cerca 12 horas.

Embarcação sendo removidaReuters

Esta primeira parte prevê que sejam esticadas uma parte dos cabos de aço unidos à parte superior das plataformas instaladas, enquanto outros cabos, conectados a 13 torres, serão utilizados para dar equilíbrio ao navio. Após cinco horas de trabalho, segundo explicou Girotto, com uma força de tração de 6 mil toneladas, o navio foi endireitado em 2 graus, mas pouco a pouco a operação ganhará rapidez.

Quando o cruzeiro já estiver em posição vertical, começará a fase seguinte com a instalação de 15 novos boias-estabilizadoras, iguais as já instalados na parte esquerda do casco e que graças a um sistema que esvazia a água de forma gradual de seu interior, dará o empurrão suficiente para o navio flutuar.

A expectativa pela operação convocou mais de 500 jornalistas procedentes de todo o mundo, para seguir ao vivo como a o navio de 44.600 toneladas de peso, 290 metros de longitude e cerca 70 metros de altura voltará a flutuar.

A operação será realizará pela americana Titan Salvage e a italiana Micoperi e custou 600 milhões de euros à empresa Costa Cruzeiros. Durante os trabalhos, cerca de 500 pessoas estão em ação para devolver o navio à posição vertical. A presidente do Observatório Meio Ambiental, Maria Sargentini, também comunicou que não se foram vistos elementos preocupantes durante esta primeira fase.

Antes de começar, a presidente tinha destacado algumas dúvidas sobre o possível impacto meio ambiental que esta operação teria devido a todos os resíduos e líquidos que estão acumulados ainda em seu interior e que seriam jogados ao mar.

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