Por adriano.araujo

Rio - Quando crianças que possuem deficiência auditiva grave são diagnosticadas hiperativas, as supostas origens da limitação são, em geral, frustrações relacionadas com problemas de comunicação e socialização. Entretanto, um novo estudo afirma que um defeito genético no ouvido interno também poderia influenciar no comportamento hiperativo das pessoas. Isso sugere que, ao menos em alguns casos, a hiperatividade teria uma origem neurobiológica.

Pesquisadores da Faculdade de Medicina Albert Einstein, localizada no bairro do Bronx em Nova Iorque, nos Estados Unidos, provocaram um defeito no ouvido interno de camundongos retirando o gene Slc12a2, o que resultou na perda de audição e do senso de equilíbrio. Entretanto, a remoção do gene também resultou em níveis mais altos de duas proteínas conhecidas como pERK e pCREB do corpo estriado, região do cérebro que ajuda a regular as funções motoras.

Estudo afirma que defeito no ouvido provoca comportamento hiperativoPhotodisc

Correr rápido e em círculos

Os camundongos testados passaram a apresentar sinais de hiperatividade, como correr mais rápido e em círculos. Os pesquisadores da universidade norte-americana suspeitaram que os patamares altos de proteínas estivessem causando tal comportamento dos camundongos e por isso eles reduziram as dosagens. Após a restauração dos níveis das duas proteínas, o comportamento dos ratos voltou ao normal.

Ainda há pontos para pesquisar

Mas não se sabe ao certo qual rede neural que liga o ouvido ao cérebro estava ativada nesse caso do estudo feito, afirmou Jean M. Hébert, principal autor do levantamento e pesquisador da área de neurologia da faculdade. "A ativação da rede neural normal é responsável pelo aumento dos níveis dessas proteínas e por esse comportamento?", afirmou. "Ainda não verificamos esse questão."

Ele também observou que o estudo, publicado no periódico Science, identificou apenas uma das origens em potencial da hiperatividade, que pode ter várias causas. "Eu não passaria a testar a audição de crianças hiperativas", afirmou o autor.

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