Israel autoriza entrada de materiais de construção em Gaza após 6 anos

País impôs rígido bloqueio ao território desde que movimento islamita palestino ganhou eleições em 2007

Por juliana.stefanelli

Gaza - Israel autorizou a entrada de materiais de construção na Faixa de Gaza para obras do setor privado pela primeira vez em seis anos, informaram nesta terça-feira fontes oficiais da Autoridade Nacional Palestina (ANP).

Os materiais começarão a entrar na faixa no domingo através da passagem de Kerem Shalom, a única via comercial que Israel mantém operacional desde que impôs o bloqueio ao território palestino em 2007, explicou Rad Fattouh, oficial palestino em Gaza. A fonte disse em comunicado que em um primeiro momento entrarão quantidade limitadas de cascalho, cimento e aço.

O ministro palestino para Assuntos Civis, Hussein Sheikh, disse que a ANP confirmou o acordo alcançado com Israel para que se permita a entrada de materiais de construção e afirmou que a quantidade que chegará em Gaza aumentará progressivamente.

Israel impôs um rígido bloqueio a Gaza depois que o movimento islamita palestino Hamas, ganhador das eleições parlamentares palestinas de 2006, assumiu o controle do território em 2007 frente aos partidários do Fatah, do presidente do ANP, Mahmoud Abbas. Desde então, Gaza é liderada por um Executivo do Hamas enquanto a ANP conta com um governo leal na Cisjordânia.

A partir de 2010, Israel foi aliviando as restrições aos produtos que entravam em Gaza e permitiu alimentos e materiais de construção para projetos realizados por organizações internacionais e para infraestruturas vitais. Israel impedia a entrada de materiais de construção por temor de que fossem empregados pelos grupos armados para fabricar armas ou bunqueres que poderiam ser usados em ações ofensivas contra solo israelense.

O anúncio da ANP ocorre depois que Egito intensificou nas últimas semanas, como parte de uma campanha contra grupos radicais na Península do Sinai, a destruição dos túneis subterrâneos cavados no sul de Gaza e na fronteira com seu território.

Através dos túneis entravam na Faixa de Gaza todo tipo de produtos básicos, combustível e inclusive armas para as milícias. O Hamas permitia que contrabandistas trouxessem materiais de construção do Egito e chegava a cobrar impostos sobre a atividade.

Sheikh disse que a ANP está tentando negociar com Israel a permissão da entrada de mais produtos, como diesel para a usina de eletricidade de Gaza, assim como a volta do abastecimento de água potável.

As construções tinham parado nos últimos meses e o volume de combustível diminuiu em Gaza desde que o Egito intensificou sua campanha de destruição dos túneis. Nas últimas semanas, segundo fontes do Hamas, mais de 90% deles foram destruídos.

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