Justiça russa nega libertação a dois ativistas britânicos do Greenpeace

'Dá a impressão que o tribunal recebe ordens', disse advogado representante da organização na Rússia

Por clarissa.sardenberg

Rússia - O tribunal regional de Murmansk recusou nesta sexta-feira os recursos de libertação dos ativistas britânicos do Greenpeace Phillip Ball e Kieron Bryan, que junto com outros 28 companheiros estão em prisão preventiva por ter organizado um protesto com o quebra-gelo "Arctic Sunrise". Todos os ativistas são acusados de pirataria marítima e foram condenados no final de setembro a prisão preventiva até o próximo 24 de novembro, em espera dos juízos.

Os recursos apresentados por Ball e Bryan foram examinados e rechaçados em audiências separadas, disse Mikhail Kreindlin, assessor jurídico do Greenpeace Rússia, que destacou que o tribunal "não levou em conta os argumentos da defesa". "Dá a impressão que o tribunal recebe ordens", acrescentou o advogado.

Na terça-feira, o mesmo tribunal negou os recursos de libertação de quatro cidadãos russos que estavam no "Arctic Sunrise": a médica de bordo, Ekaterina Zaspa, o fotógrafo freelancer Denís Siniakov, o porta-voz do Greenpeace Rússia, Andrei Allajvérdov e o ativista Román Dolgov.

Na semana passada, a Justiça russa apresentou as acusações formais contra os tripulantes por tentar se acorrentar à plataforma petrolífera Prirazlómnaya, do consórcio de gás russo Gazprom, acusou todos de pirataria, crime que na Rússia é punido com penas de até 15 anos de prisão.

Os tripulantes do "Arctic Sunrise" também são do Brasil, Estados Unidos, Argentina, Reino Unido, Canadá, Itália, Ucrânia, Nova Zelândia, Holanda, Dinamarca, Austrália, República Tcheca, Polônia, Turquia, Finlândia, Suécia e França.

Na quarta-feira, o Comitê de Instrução da Rússia anunciou que os investigadores haviam encontrado droga a bordo do quebra-gelo da organização ambientalista, por isso seus tripulantes poderiam ser acusados de outros crimes. O anúncio das autoridades russas foi recebido com incredulidade pelo Greenpeace, que lembrou que "o navio está há muito tempo sem tripulação e sob controle de gente desconhecida".

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