Por bferreira

Rio - A realidade virtual é o mais novo remédio para combater a fobia social. O método, desenvolvido pelo Instituto de Psiquiatria da USP, faz com que os pacientes encarem seus maiores pesadelos: falar em público, interagir com desconhecidos e participar de eventos, entre inúmeros outros. Uma tela em 3D mostra situações desconfortáveis, como reuniões de negócios e até festas, e o terapeuta orienta a pessoa a participar delas.

Durante testes, a técnica deu resultado positivo em mais de 70% de 21 pacientes. “Eles se sentem mais seguros do que em uma situação ‘ao vivo’, por causa da privacidade do consultório. Isso acaba agilizando o tratamento”, destaca a psicóloga Cristiane Gebara, que participou dos estudos que desenvolveram a tecnologia. A fobia social afeta 10% da população mundial e por vezes é confundida com a timidez. Mas o transtorno psiquiátrico é tão intenso que pode afetar o desempenho profissional e social do paciente, além de causar sintomas físicos, como taquicardia.

No tratamento com realidade virtual, o portador de fobia social é exposto aos seus medos em escala gradativa: dos amenos aos mais graves. Os cenários exibidos no computador diante do paciente variam de acordo com a necessidade. A pessoa em tratamento é estimulada a agir dentro da realidade simulada. “Assinar um cheque sendo observado é um exemplo do que reproduzimos”, disse a terapeuta, que controla a resposta dos ‘avatares’.

Em todos os casos, é comum o tratamento exigir a repetição de atos. A psicóloga fica ao lado do paciente e controla suas reações até o comportamento se adequar, técnica que tem como base a terapia cognitiva comportamental.

O TRANSTORNO

Os sintomas da fobia social incluem incômodos para falar, comer ou até escrever em público, preocupação excessiva em não cometer erros, inquietação diante de desconhecidos e tensão ao ser observado. Sinais físicos também podem aparecer, como taquicardia, rubor (faces avermelhadas) e suor excessivo. O transtorno costuma surgir na adolescência e tem causas variadas. É comum o paciente desenvolvê-lo ao perceber a possibilidade de ser criticado, ou ao tomar como adequado o comportamento introvertido dos pais.

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