Por clarissa.sardenberg

Estados Unidos - Os democratas do Senado aprovaram nesta quinta-feira uma mudança histórica nas normas da Câmara alta dos Estados Unidos, para que já não seja necessária uma maioria de 60 dos 100 senadores quando se trata de confirmar as nomeações de juízes e altos funcionários propostos pela Casa Branca.

Com 52 votos a favor e 48 contra (três deles democratas), a maioria democrata do Senado aprovou a proposta que acaba com esta tradicional norma não escrita, que tinha permitido a minoria republicana atrasar sistematicamente nomeações do presidente Barack Obama.

A chamada "opção nuclear" permitirá que não seja necessária mais do que uma maioria simples de 51 senadores (que os democratas possuem) para impedir as manobras de "filibusterismo" (técnica de obstrução parlamentar) da oposição e fazer avançar as nomeações pendentes, a exceção das para juízes da Corte Suprema.

O líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid, durante entrevista coletiva em WashingtonEfe

O líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid, cumpriu sua ameaça de recorrer à "opção nuclear" se não fossem desbloqueadas as nomeações pendentes de três juízes.

"É hora de mudar o Senado antes que esta instituição fique obsoleta", indicou Reid, quem lembrou que o povo americano está muito frustrado com a inação no Congresso.

Já o líder da minoria republicana, Mitch McConnell, criticou Reid por "falsas batalhas" para "distrair o público" e advertiu que os democratas querem "romper com as normas do Senado".

Os democratas no Senado puderam mudar as normas sobre votações com uma maioria simples, uma decisão que tensiona ainda mais as relações entre os dois partidos no Congresso.

Reid lamentou hoje que os bloqueios dos republicanos e suas técnicas de "filibusterismo" tenham transformado o Senado em uma câmara "que não funciona".

Por sua parte, o vice-presidente americano, Joseph Biden, disse que a Casa Branca apoia Reid em seu desafio de mudar as normas do Senado de uma vez por todas.

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