Reforço militar na Guiné-Bissau está na agenda da ONU

'Capacidade de segurança nacional é cada vez menor', diz documento sobre situação no país

Por clarissa.sardenberg

Estados Unidos - O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, quer que o Conselho de Segurança considere a possibilidade de reforçar a Ecomib, contingente militar que atua na Guiné-Bissau para impedir o aumento de casos de violência.

O pedido é feito no mais recente relatório sobre a situação do país, que será apresentado nesta-feira ao Conselho de Segurança, em Nova York, por José Ramos-Horta, representante especial do secretário-geral da ONU na Guiné-Bissau.

"Peço ao Conselho de Segurança que considere dar suporte a uma Ecomib reforçada, de modo a garantir segurança para o processo eleitoral e a dar assistência às autoridades que vierem a ser eleitas", lembra Ban Ki-moon nas observações finais.

O pedido é feito no momento em que as eleições gerais foram marcadas para 16 de março de 2014 e em que, de acordo com o documento, "a capacidade de segurança nacional é cada vez menor".

"A falta de segurança cria uma atmosfera de medo e intimidação na população e não facilita a criação de um ambiente que conduza a eleições pacíficas e com credibilidade", destaca o relatório, para justificar o pedido de reforço. O documento é também dirigido à Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (Cedeao), no âmbito da qual foi criada a Ecomib.

Em relação ao relatório anterior, de agosto, o documento faz um retrato mais sombrio da situação no país, sobretudo por causa do número crescente de casos de violência e intimidação.

Ban Ki-moon condena veementemente a morte de um cidadão nigeriano, o espancamento de um ministro de Estado, os ataques de grupos armados à população de alguns bairros, em que um funcionário da ONU foi ferido, e o apedrejamento da Embaixada da Nigéria. No relatório, pede ao governo de transição que garanta a realização de investigações com credibilidade sobre esses incidentes.

O secretário-geral da ONU manifesta preocupação com o fato de as autoridades de transição não terem feito "progressos efetivos" para a realização das eleições, que estavam marcadas para 24 de novembro, mas foram adiadas para 16 de março.

Segundo Ban Ki-moon, está garantido o financiamento do recenseamento e das eleições. "O ônus recai agora sobre o governo de transição para que sejam dados os passos necessários à realização das eleições na data marcada", sublinha.

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