Por joyce.caetano
Japão - Seiji Sasa chega à estação de trem de Sendai antes do amanhecer em busca de sem-tetos. Ele não é do serviço social, ele é um recrutador. Os sem-teto na estação são potenciais trabalhadores para as empresas contratadas para limpar o vazamento nuclear da usina de Fukushima. Para cada trabalhador recrutado, Sasa recebe U$ 100, cerca de R$ 240. “É assim que recrutadores como eu abordam as pessoas todos os dias”, diz Sasa, enquanto fala com homens dormindo sobre papelão.
Sem-teto na estação são potenciais trabalhadores para as empresas contratadas para limpar o vazamento nuclear da usina de FukushimaReuters

É desse modo que o Japão encontra trabalhadores dispostos a receber salário mínimo para realizar um dos trabalhos mais rejeitados do mundo: fazer parte do projeto de R$ 82 bilhões para limpar uma área radioativa maior que a cidade de Hong Kong.

Há quase três anos, um grave terremoto seguido por um tsunami na costa nordeste do Japão causou um desastre na usina nuclear em Fukushima. O plano de limpeza do desastre, o mais ambicioso esquema de limpeza nuclear já elaborado no mundo, enfrenta atrasos por causa de erro de planejamento e falta de mão de obra, segundo especialistas ouvidos pela Reuters.

Em janeiro, outubro e novembro, membros da máfia japonesa foram presos sob acusação de se infiltrarem na construtora Obayashi Corp’s e mandar trabalhadores de forma ilegal para o programa de limpeza, pago pelo governo. Em outubro, sem-tetos abordados por Sasa foram enviados à Fukushima para trabalhar por salários menores do que o mínimo, de acordo com a polícia japonesa, no esquema montado dentro da Obayashi.
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A construtora Obayashi, uma das 20 maiores do Japão, não foi acusada por crimes, mas as denúncias mostraram que membros dos principais sindicatos do País estavam envolvidos no recrutamento dos trabalhadores. “É grave que esses incidentes tenham ocorrido um atrás do outro”, disse Junichi Ichikawa, porta-voz da Obayashi. Ele diz que empresa endureceu sua política de contratação de trabalhadores braçais para evitar a interferência de máfias como a Yakuza, por exemplo.