Rio - Ao contrário do que se imagina, a arritmia cardíaca é um mal que pode surgir na infância. A cada 250 crianças aparentemente saudáveis, uma apresenta a alteração do ritmo do coração, segundo a Universidade de Washington (EUA). O problema pode ser fatal, mas é diagnosticado com facilidade e pode ser tratado sem atrapalhar a rotina.
As arritmias podem ser genéticas ou decorrentes de alguma doença. Febre reumática, inflamação no miocárdio, anemia grave e doenças da tireoide e infectoparasitárias são as principais causas. “Poucas pessoas já nascem com o problema”, esclarece o cardiologista William Oliveira de Souza, do Instituto Nacional de Cardiologia.
O mal pode apresentar diferentes níveis de gravidade. A maior parte é branda. As mais graves, no entanto, podem levar à morte súbita. “Só o médico identifica qual é o tipo de arritmia, por isso é importante não subestimar o problema”, diz.
De acordo com William, as arritmias são facilmente identificadas em exames de rotina, como o teste realizado no pediatra habitualmente. “Exames superficiais podem notar as arritmias normais. As mais graves, só em eletrocardiograma”, destaca, recomendando que os pais estejam atentos às queixas, já que muitas crianças têm dificuldades em descrever sintomas: “Acabam apenas reclamando de cansaço.”
Quando a arritmia é identificada, o primeiro cuidado é suspender atividades que demandem esforço físico até a avaliação médica. “Jogar bola e correr podem levar a sobrecarga muito grande nos diagnosticados”, disse William.
Dependendo da gravidade, o tratamento é feito com medicamentos ou cirurgia. Se a arritmia for acompanhada precocemente, são altas as chances de o jovem ter uma vida normal, sem sequelas.