Por bferreira
Rio - Em mais uma etapa da batalha contra o tabaco, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu que irá propor a adoção no Brasil de embalagens ‘genéricas’ para cigarros. A ideia é que os maços tenham apenas o nome do fabricante e as imagens com alertas aos malefícios que o fumo causa à saúde. O objetivo é reduzir a atratividade dos produtos.
Anvisa quer maço ‘genérico’ de cigarro%2C sem cores e marca Reprodução Internet

Em março de 2012, a Anvisa emitira norma proibindo a fabricação de cigarros com aromas, como os mentolados, que segundo pesquisas atraem jovens para o vício. A suspensão, porém, não entrou em vigor: vem se arrastando desde então na Justiça, e ainda precisa ser julgada pelo Supremo Tribunal Federal.

O maço genérico não tem cores, símbolos ou qualquer referência comercial. A ideia segue iniciativa da Austrália, instituída em 2012. A medida causou revolta na indústria do tabaco local, que tentou barrar a proposta na Justiça, mas foi bem recebida pela Organização Mundial da Saúde. Após as primeiras pesquisas, que indicaram a redução da atratividade do cigarro, outros governos passaram a estudar a adoção do padrão.
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O diretor-presidente da Anvisa, Dirceu Barbano, afirma que o órgão pretende realizar novos estudos antes de mobilizar forças no Congresso Nacional, que precisa aprovar lei sobre o assunto. “Esse é o próximo passo que o Brasil precisa dar. A Anvisa vai mover esforços técnicos para demonstrar o benefício da medida”, afirmou à ‘Folha de S. Paulo’. Para Paula Johns, diretora-executiva da Aliança de Controle do Tabagismo, a ideia é boa, mas antes é preciso que o veto aos sabores seja implementado de fato. “O governo tem que partir para o caminho das embalagens genéricas, mas tem muita coisa que está pronta e ainda não foi feita”, afirma.
Na Austrália, 69% pensam em largar vício
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Na Austrália, onde a padronização foi implementada há pouco mais de um ano, o resultado foi considerado satisfatório.
De acordo com pesquisa publicada em julho no ‘British Medical Journal Open’, 27% dos que fumam cigarros de embalagens sem logomarca naquele país sentem-se menos satisfeitos do que antes da obrigatoriedade deste modelo.
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Mas a conscientização sobre os males à saúde e o interesse por uma vida saudável refletem em outro índice: 69% das pessoas que fumam cigarros de embalagens genéricas afirmaram que pensam em parar de fumar nos próximos seis meses.
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