Venezuela vive noite de tensão com nova onda de manifestações

'Mesmo para um chavista ou não, há um sentimento de cansaço, de frustração e de impotência diante dos problemas que o país tem enfrentado', disse um jornalista venezuelano

Por tamara.coimbra

Venezuela - A noite desse sábado e começo da madrugada deste domingo foi marcada por intensos protestos na Venezuela. Manifestantes concentraram-se nas ruas de algumas cidades do país. A imprensa local divulgou que ao menos 23 pessoas ficaram feridas em Chacao, capital do estado de Miranda, reduto oposicionista e que houve confrontos entre manifestantes e policiais.

Em ritmo intenso, com inúmeras postagens, usuários do Twitter trocaram informações sobre o paradeiro de jovens, supostamente detidos ao longo da noite e denunciaram suspeitas de “desaparecimento” de manifestantes. Usuários das redes sociais também publicaram fotos de pessoas feridas com balas de borracha. Na versão deles, pela Guarda Nacional Bolivariana, que teria usado também gás lacrimogêneo para dispersar as manifestações. Algumas fotografias expressaram reações policiais violentas.

A imprensa local foi comedida na publicação de imagens, mas relatou os acontecimentos assim como a prefeitura de Chacao, que denunciou que bancos foram danificados e tiveram vidraças quebradas e fachadas danificadas. Pela internet, o prefeito da cidade, Ramón Muchacho, falou de danos materiais causados na cidade e pediu que cesse o vandalismo. "Se justifica o que está acontecendo? Alguém assume a responsabilidade?", questionou no Twitter.

Manifestantes da oposição agitam a bandeira venezuelana diante de uma barricada em chamas durante um protesto contra o governo do presidente Nicolas Maduro%2C em CaracasReuters


O governo nacional também denunciou ataques à sede do canal estatal, Venezuelana de Televisão e ao prédio do Ministério dos Transportes. Com as manifestações, 12 linhas de metrô da capital pararam no começo da madrugada deste domingo.

Neste cenário incerto, a troca de acusações continua entre governistas e oposicionistas. De um lado, o governo denuncia um plano golpista da extrema direita e acusa grupos “fascistas” de estarem provocando o caos. Do outro, a oposição insiste na existência de infiltrados, apoiados pelo próprio governo para responsabilizar os opositores.

O oposicionista Leopoldo López, procurado pela polícia continuava foragido até a madrugada deste domingo. De acordo com a imprensa a residência dele e a dos pais dele teriam sido revistadas por policiais após as 23h desse sábado. Mais cedo, a Mesa da Unidade Democrática, que reúne partidos de oposição, informou que 112 pessoas que estavam presas desde a última quarta-feira foram liberadas, mas que ainda havia pelo menos 47 jovens detidos em diferentes penitenciárias do país.

Jornalistas que vivem em Caracas conversaram na noite de ontem com a Agência Brasil. Eles preferiram que seus nomes não fossem revelados, e afirmaram que a situação é muita confusa e que é difícil discernir o que está realmente acontecendo. “Não é possível fazer uma leitura precisa do que está ocorrendo”, afirmou uma correspondente brasileira.

Ela disse que os argumentos se confundem, há “teorias conspiratórias” e um clima de “terror e medo” no país. Um jornalista venezuelano acrescentou que "de ambos os lados, situação e oposição, há evidências que poderiam justificar as acusações”.
“Mas uma coisa é certa. Mesmo para um chavista ou não. A população não está contente. Há um sentimento de cansaço, de frustração e de impotência diante dos problemas que o país tem enfrentado”, ponderou.

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