Por tamara.coimbra

Rússia - O Exército russo deu até às 5 horas de terça-feira (0 hora no horário de Brasília) para as forças ucranianas na Crimeia se renderem se não quiserem enfrentar um ataque militar na península, informaram fontes de Defesa. O ultimato, de acordo com a agência de notícias Interfax, foi apresentado por Alexander Vitko, comandante da Frota do Mar Negro da Rússia.

O ministério não confirmou imediatamente o relato e não houve comentário imediato da Frota do Mar Negro, que tem uma base na Crimeia, onde forças russas estão no controle. "Se eles não se renderem antes das 5h de terça-feira, um ataque real será iniciado contra as unidades e divisões das Forças Armadas por toda a Crimeia", disse a agência citando uma fonte do Ministério da Defesa da Ucrânia.

Paralelamente, o porta-voz do Ministério da Defesa disse à Associated Press, Maksim Prauta, afirmou que os russos também ordenaram a rendição de dois navios de guerra ucranianos no período de uma hora para evitar uma invasão. Segundo Prauta, há quatro navios russos bloqueando o navio antissubmarino de Ternopil e o navio de comando de Slavutych na enseada de Sevastopol.

O líder deposto da Ucrânia Yanukovich e o o presidente da Rússia%2C Putin em encontro em dezembro do ano passadoReuters

A Rússia está com o controle militar da estratégica Crimeia, uma área pró-Moscou da Ucrânia, apesar das críticas ocidentais à "violação da soberania da Ucrânia". Segundo funcionários graduados do governo de Barack Obama, a Rússia tem mais de 6 mil soldados na península.

Mais cedo, o chanceler russo, Serguei Lavrov, afirmou que as tropas russas continuarão na Ucrânia para proteger os interesses e os cidadãos russos até "a normalização da situação política do país". Em declarações na ONU em Genebra, Lavrov também afirmou que a Rússia está defendendo os direitos humanos contra as "ameaças ultranacionalistas". O Parlamento russo autorizou o envio de soldados ao país no sábado.

"Os vitoriosos têm a intenção de usar os frutos de sua vitória para atacar os direitos humanos e as liberdades fundamentais das minorias", afirmou Lavrov em Genebra. "A violência dos ultranacionalistas ameaça as vidas e os interesses dos russos e da população falante de russo."

O novo governo em Kiev, que assumiu na semana passada após a queda do presidente pró-Rússia Viktor Yanukovych, ordenou a mobilização total para conter a intervenção militar, acusou a Rússia de invasão militar e exigiu que o país recue suas tropas. Mas, apesar da retórica, o novo governo ucraniano e o Ocidente parecem sem nenhum poder para conter as movimentações russas.

Em Kiev, o primeiro-ministro ucraniano, Arseniy Yatsenyuk, afirmou que qualquer tentativa da Rússia de anexar a Crimeia fracassaria. Entretanto, ele acrescentou que, "agora, não há nenhuma opção militar sobre a mesa", pedindo em vez disso apoio econômico e político do exterior.

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