Por bferreira

Rio - Campanha inédita iniciada esta semana, a vacinação de meninas contra o HPV pode salvar vidas: o vírus é o principal causador de câncer de colo de útero. Aos 18 anos, Fernanda Azevedo Alves morreu vítima da doença, após lutar anos contra o tumor. A família da menina apoia a imunização. “Acho que a faixa etária poderia se estender. A vacina na rede particular é muito cara”, afirma a mãe de Fernanda, a funcionária pública Lucienne Azevedo Alves, 53 anos.

Com fortes dores e inchaço na barriga, a estudante procurou atendimento médico para investigar o problema, porém a doença já estava em estágio avançado. Durante dois anos, a família apostou em diversos tratamentos e a jovem fez cinco sessões de quimioterapia, além cirurgias para conter o câncer. “No final, o tumor pesava três quilos. Ela nos deixou em 2002”, disse a mãe.

Namorado de Fernanda na época, o jornalista Arthur Willian, 29, conta que a queda de cabelo, as dificuldades para andar e as marcas físicas da cirurgia afetaram a autoestima da jovem. “Um destes procedimentos a deixou infértil, o que abalou ainda mais”, relata.

De acordo com o coordenador do centro oncológico da Clínica São Carlos, Bruno Fuser, este câncer é agressivo e, na maioria dos casos, as pacientes têm HPV. O vírus se aloja na região entre a vagina e o útero e contribui com o desenvolvimento do câncer.

“A principal característica desse câncer é a chance de prevenção. Normalmente, as pacientes têm uma lesão pré-maligna. Quando ela é descoberta, as chances de evitar a doença são grandes”, afirma, acrescentando que exame preventivo detectar o vírus e o câncer.

Este ano, a campanha é voltada a meninas de 11 a 13 anos. A vacina ficará disponível ao longo do ano nos postos de saúde. A primeira dose será aplicada também em escolas.

Combinação de tratamentos aumenta sobrevida

Um estudo realizado em Barcelona e publicado na revista científica ‘The New England Journal of Medicine’ desenvolveu um tratamento que aumentou a expectativa de vida de pacientes com câncer de colo de útero em quase quatro meses. Participaram dos testes 452 mulheres em 164 hospitais americanos e espanhóis.

A oncologista ginecológica e coordenadora do estudo, Ana Oaknin, explica que os cientistas compararam a eficácia da quimioterapia com a de tratamento que usa uma combinação do próprio tratamento com um outro medicamento capaz de inibir a formação de novos vasos sanguíneos e o crescimento dos tumores. A técnica combinada diminuiu em 30% a mortalidade, quando comparada à quimioterapia isolada. Os testes clínicos começaram em 2009, segundo Ana.

A doença afeta, principalmente, as mulheres de entre 30 e 40 anos.

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