Ucrânia - As forças de segurança da Ucrânia lançaram neste domingo uma operação para desalojar separatistas pró-Rússia da sede da polícia na cidade de Slaviansk, no leste do país. Kiev afirmou que houve mortos em ambos os lados do combate, que classifica como um ato de agressão por parte de Moscou.
A Ucrânia enfrenta uma onda de rebeliões no leste, que diz serem inspiradas e dirigidas pelo Kremlin. Mas, com suas medidas para desalojar os militantes armados, corre o risco de levar o impasse para uma nova e perigosa fase, depois de Moscou ter advertido que protegerá falantes de russo na região que forem eventualmente atacados.
Um funcionário de segurança do Estado ucraniano foi morto e cinco ficaram feridos no lado do governo durante o que o ministro do Interior, Arsen Avakov, chamou de operação "anti-terrorista" neste domingo.
"Houve mortos e feridos em ambos os lados", disse Avakov em sua página no Facebook, acrescentando que ocorreu um "número não identificável" de baixas entre os separatistas, que estavam sendo apoiados por cerca de mil pessoas.
Kiev acusa Moscou de tentar aprofundar a violência e o caos na Ucrânia, uma ex-república soviética. O Kremlin, segundo diz, quer minar a legitimidade das eleições presidenciais em 25 de maio, que pretendem conduzir o país de volta a um cotidiano normal, após meses de turbulência.
Um repórter da Reuters em Slaviansk, a cerca de 150 quilômetros da fronteira com a Rússia, disse que dois helicópteros militares sobrevoavam a sede da polícia da cidade, onde os militantes estavam alojados.
Mais cedo, Avakov recomendou que moradores fiquem em suas casas. "Passem esta mensagem a todos os civis: eles devem deixar o centro da cidade, não sair de seus apartamentos e não ir para perto das janelas", escreveu em sua página no Facebook.
Na cidade vizinha de Kramatorsk, militantes trocaram tiros com a polícia na noite de sábado. Não houve confirmação de que alguém tenha sido ferido.
Mediador
A Casa Branca disse que o vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, viajará para Kiev neste mês para mostrar apoio ao governo ucraniano. A viagem de Biden ocorrerá em um momento em que autoridades norte-americanas têm expressado preocupação sobre a "violência e sabotagem" cometidas no leste da Ucrânia por militantes que, segundo eles, são aparentemente apoiados pela Rússia.
Biden, com viagem para Kiev marcada para 22 de abril, será o mais alto funcionário dos EUA a visitar o país desde o início da crise. O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, falou por telefone com o ministro do Exterior russo, Sergei Lavrov, disse o Departamento de Estado norte-americano.
Durante o telefonema, Kerry "mostrou forte preocupação de que os ataques por militantes armados do leste da Ucrânia em 12 de abril tenham sido orquestrados e sincronizados, semelhantes a ataques anteriores ao leste da Ucrânia, na Crimeia", disse um alto funcionário do Departamento de Estado, falando anonimamente.