Sudanesa cristã sentenciada à morte dá à luz e sai da prisão

Condenada por abandono da fé islâmica, mulher terá dois anos para cuidar de bebê

Por bferreira

Sudão - Autoridades sudanesas irão libertar Meriam Ibrahim, condenada à morte por ter abandonado o Islã, informou o Ministério de Relações Exteriores daquele país.

Meriam Ibrahim e o marido%3A Justiça do Sudão dá liberdade até 2106Reprodução Internet

Meriam, que deu à luz uma menina, batizada de Maya, esta semana, enquanto estava presa, será libertada em alguns dias, disse Abdullahi Alzareg, sub-secretário do ministério. Segundo ele, o Sudão garante a liberdade religiosa e está comprometido em proteger a mulher. A condenação à morte gerou comoção internacional.

Os protestos que se sucederam no mundo por conta da iminente morte da jovem mãe pressionaram o governo do Sudão. A Anistia Internacional e políticos do Reino Unido — entre eles, o atual e o ex-primeiro-ministro britânico, David Cameron e Toni Blair, respectivamente; Ed Miliband, líder do Partido Trabalhista; e Nick Clegg, líder do Partido Liberal Democrata — se mobilizaram para a reversão da pena.

Meriam, de 27 anos, foi criada pela mãe como uma cristã ortodoxa, mas um juiz sudanês decretou que ela deveria ser considerada muçulmana devido à religião de seu pai.

Ela se recusou a renunciar ao cristianismo e foi condenada à morte pelo crime de apostasia — abandono da religião.

A Justiça voltou atrás na pena, que determinava sua morte por enforcamento assim que desse à luz. E deu a Meriam o prazo de dois anos para cuidar da criança, antes do cumprimento da sentença.

O casamento cristão de Meriam, que aconteceu em 2011, foi anulado, e ela também foi condenada a 100 chibatadas por adultério, já que a união não é considerada válida sob a lei islâmica.

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