Por felipe.martins

Beirute, Líbano - O ano de 2013 teve o maior número de refugiados desde a Segunda Guerra Mundial, informou ontem a ONU. Ao todo, 51,2 milhões de pessoas foram forçadas a deixar suas casas em vários países, 6 milhões a mais do que em 2012. O balanço inclui pessoas que cruzaram as fronteiras de suas nações e também as deslocadas dentro de seus próprios países. Os dados foram apresentados em Beirute, no Líbano, na ocasião do Dia Mundial dos Refugiados.

Família que fugiu da violência em Mossul%2C alvo de terroristas no Iraque%2C se abrigou num acampamento nas redondezas de Arbil%2C no CurdistãoReuters

A atual crise no Iraque — onde terroristas sunitas estão tomando o controle de várias cidades — pode agravar ainda mais a situação. Só na semana passada, meio milhão de pessoas fugiu de Mossul, segunda maior cidade do país.

O Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur) calcula que a maioria dos deslocados no mundo (33,3 milhões) é de pessoas que fugiram de suas residências, mas permaneceram dentro de seus próprios países. Os conflitos na Síria, Sudão do Sul, República Democrática do Congo e República Centro-Africana contribuíram muito para o aumento. Somente a guerra civil síria, que já dura três anos, forçou a fuga de 9 milhões.

“Os conflitos se multiplicam mais e mais. E, ao mesmo tempo, conflitos antigos parecem não acabar nunca”, afirmou Antonio Guterres, alto comissário da ONU.

O país que ‘exporta’ mais refugiados ainda é o Afeganistão. Já o Paquistão, seu vizinho, é o que mais recebe deslocados — tem hoje cerca de 1,6 milhões. Devido à crise síria, Líbano, Jordânia e Turquia mantiveram suas fronteiras abertas. O Líbano hospeda no momento mais de 1 milhão de refugiados sírios, o que representa um quarto de sua população total. A pressão sobre habitação, educação e saúde tem causado tensões em um país cuja história recente foi marcada por conflitos.

Avanço de terroristas no Iraque

Mais de um milhão de iraquianos foram obrigados a deixar suas casas neste ano, e a crise tende a se agravar diante dos avanços dos rebeldes do Estado Islâmico do Iraque e da Síria, informou a ONU. Além do meio milhão que fugiu semana passada, outros 500 mil foram deslocadas da província de al-Anbar, onde os milicianos sunitas estão no comando desde o início de 2014.

“Com a crise humanitária, nem sempre é fácil chegar a todos eles”, disse a porta-voz do Acnur, Ariane Rummery. Algumas famílias em fuga se abrigam em quartos superlotados de hotéis, e outras vão para campos perto de postos de controle no Norte do país.

Enviada especial do Acnur, a atriz norte-americana Angelina Jolie visitou ontem, na Tailândia, um acampamento de refugiados vindos de Mianmar. O conflito interno no país, com lutas entre forças governamentais e grupos étnicos, é uma das grandes tragédias atuais.

Você pode gostar