Beijo de casal árabe-israelense vira campanha no Twitter pela paz em Gaza

Imagem foi retuitada mais de 2 mil vezes e inspirou outros casais de judeus e árabes a fazerem o mesmo

Por clarissa.sardenberg

Estados Unidos - Árabes e israelenses ao redo do mundo vêm se manifestando contra a violência massiva que toma conta da Faixa de Gaza nos últimos dias e ameaça a população de Israel, mas principalmente os palestinos. Um casal postou uma imagem que se tornou viral na web ao declarar que o "amor não fala a língua da ocupação". “Ele me chama de neshama, eu o chamo de habibi", escreveu Sulome Anderson, americana metade libanesa que aparece beijando o namorado judeu ortodoxo. Os dois seguram um cartaz que diz: "Judeus e árabes se recusam a ser inimigos".

A foto feita por sugestão de um jornalista amigo do casal já foi retuitada mais de 2 mil vezes. Logo a ideia se espalhou na web e inspirou outros casais árabes-israelenses a fazerem o mesmo.

Sobre a popularização da foto, a jovem diz estar recebendo críticas de palestinos extremistas na internet, mas não se intimida. "Nossa foto viralizar é assustador e incrível", disse Sulome. "Sabemos que medo é o sentimento errado agora", completou.

'Judeus e árabes se recusam a ser inimigos', diz cartaz levantado por casal em foto postada no TwitterReprodução Internet

Sulome também é jornalista e vive parte do tempo em Beirute. Em entrevista à revista New York ela contou que acompanhou de perto a situação de refugiados e que a maior dificuldade que vive em sua relação amorosa é a política. “Meu amigo jornalista sugeriu que publicássemos a foto porque ele acompanha de perto a maior dificuldade que enfrentamos em nossa relação: política", disse. 

"Jeremy, meu namorado, que prefere que o sobrenome não seja divulgado, vem de uma família que se orgulha do apoio ao governo de Israel", contou. A jovem revelou que o namorado viveu em Israel e viu um ônibus ser bombardeado. Já Sulome teve o pai sequestrado por uma milícia xiita no Líbano, tendo vivido em cativeiro por sete anos.

Com os rumores de uma grande guerra se aproximando e após muitas discussões exposições de pontos de vista, os dois chegaram a um consenso: Não é apenas sobre política e sim sobre pessoas. 

“É por isso que eu e Jeremy resolvemos entrar na campanha. Nós amamos que o movimento destaca a ligação entre pessoas que são ensinadas a odiar umas às outras. Queremos espalhar a mensagem que nossa relação nos ensinou: 'Nós não somos apenas o que defendemos'”, diz.

A campanha "Árabes e judeus se recusam a ser inimigos" foi criada pelo estudante judeu e morador de Nova York Abraham Gutman junto com a amiga síria Dania Darwish.


Uma assinatura que vale muito

Contribua para mantermos um jornalismo profissional, combatendo às fake news e trazendo informações importantes para você formar a sua opinião. Somente com a sua ajuda poderemos continuar produzindo a maior e melhor cobertura sobre tudo o que acontece no nosso Rio de Janeiro.

Assine O Dia