De improviso, Papa pede para sul-coreanos rezarem pela unificação da península

Pontífice comentou sobre a divisão da Coreia em resposta à pergunta de uma sul-coreana durante um encontro com jovens

Por tamara.coimbra

Coreia do Sul - O Papa Francisco pediu nesta sexta-feira aos sul-coreanos que rezem pela reunificação da península coreana, dizendo que deveriam ter como meta se reunir como uma única família "sem vencedores ou vencidos".

O Papa, na referência mais direta já feita por ele sobre a divisão da Coreia desde o início de sua visita de cinco dias à Coreia do Sul — que começou nesta quinta-feira —, fez os comentários em resposta à pergunta de uma menina durante um encontro com jovens.

"Vamos rezar por nossos irmão no norte", disse Francisco, antes de liderar os jovens em uma reza. "Senhor, somos uma família. Ajude-nos a alcançar a união. O Senhor pode. Para que não haja vencedores ou vencidos. Só uma família, somente irmãos", disse ele, de improviso.

Papa Francisco participa da Santa Missa no estádio da Copa do Mundo de Daejeon%2C na Coreia do Sul Reuters

A guerra da Coreia (1950 a 1953) terminou com uma trégua que continua vigente, o que tecnicamente significa que o Sul e o Norte continuam em estado de guerra.

"Somos irmãos que falam a mesma língua pensem em seus irmãos no Norte. Eles falam a mesma língua e quando se fala a mesma língua em família há uma esperança humana", disse o Pontífice, clamando aos ouvintes a "não se desesperar".

Disparos do Norte

Nesta quinta-feira, o Papa já havia pedido para que a Coreia do Sul renovasse seus esforços em promover a paz na península, dividida pela guerra e por ambos os lados da Coreia, para evitar críticas "inúteis" e demonstrações de força, mensagem que abre sua visita de cinco dias ao país enquanto o rival de Seul, Coreia do Norte, disparou cinco projéteis ao mar.

A Coreia do Norte tem um longo histórico de se fazer lembrar durante os eventos de alto nível no Sul, e provou isso novamente nesta quinta, realizando o disparo a partir de sua costa oriental.

Os foguetes foram disparados de lançadores múltiplos na cidade norte-coreana de Wonsan e percorreram 220 quilômetros antes de caírem no mar a leste da península coreana, disse um funcionário do ministério. O último foguete foi lançado 35 minutos antes da hora marcada para a chegada do Papa à base aérea de Seul, onde o pontífice começou sua visita de cinco dias à Coreia do Sul.

Esses disparos ocorrem antes de exercícios militares conjuntos entre Estados Unidos e Coreia do Sul, marcados para começar na segunda. Seul e Washington disseram que os exercício têm natureza defensiva, mas a Coreia do Norte emite frequentes reclamações sobre as manobras, que considera um ensaio para uma guerra.

A Coreia do Norte havia lançado mísseis de curto alcance anteriormente em julho, mas desde então tem dito reiteradamente que os lançamentos são respostas a tais exercícios.

Durante pronunciamento, o Papa argentino falou em Inglês, o primeiro de seu pontificado. Normalmente ele fala em italiano ou seu espanhol nativo, mas o Vaticano disse que iria entregar pelo menos quatro discursos em Inglês na viagem para o público asiático.

Ao chegar no aeroporto ao Sul de Seul na primeira visita papal em um quarto de século, o Pontífice cumprimentou quatro parentes de vítimas do naufrágio de uma balsa que deixou mais de 300 mortos e dois descendentes de mártires coreanos que morreram ao invés de renunciarem à sua fé. Francisco planeja beatificar 124 mártires coreanos que fundaram a Igreja na península no século 18.

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