EUA comprovam autenticidade de vídeo com decapitação de segundo jornalista

Estado Islâmico já havia filmado morte de outro americano

Por tamara.coimbra

EUA - Vídeo divulgado pelo Estado Islâmico que mostra a suposta decapitação do jornalista americano Steve Sotloff em represália a ataques aéreos lançados pelos EUA no Iraque é autêntico, informou a porta-voz do Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Caitlin Hayden, nesta quarta-feira.

"A comunidade de inteligência dos EUA analisou o vídeo recentemente divulgado que mostra o cidadão norte-americano Steve Sotloff e chegou à conclusão de que é autêntico", disse ela por meio de comunicado.

'Não seremos intimidados'

Em pronunciamento nesta quarta, o presidente Barack Obama disse que os Estados Unidos não serão intimidados por militantes do Estado Islâmico após a decapitação de um segundo jornalista americano, e prometeu ainda construir uma coalizão para "degradar e destruir" o grupo.

Obama ainda não deu um prazo para decidir sobre sua estratégia para ir atrás do grupo extremista na Síria. "Vai levar tempo para reverter essa situação", disse o presidente em uma entrevista coletiva durante visita à Europa.

Os comentários de Obama foram feitos após o país verificar a autenticidade de vídeo divulgado nesta terça mostrando a decapitação do repórter freelancer Steven Sotloff duas semanas após o jornalista James Foley ser morto da mesma maneira. O presidente americano prometeu que os EUA não se esquecerão do "crime terrível contra esses dois rapazes". "A justiça será feita", disse Obama.

Imagem do vídeo divulgado pelo Estado Islâmico mostra o jornalista Steven Sotloff ao lado de seu algozReprodução Youtube

No vídeo de Sotloff, um militante mascarado adverte Obama que, enquanto os EUA mantiver os ataques aéreos contra o grupo militante, "nossa faca continuará a atacar o pescoço de seu povo." Obama respondeu que vai continuar a lutar contra a ameaça militante e a "visão bárbara e vazia" que ela representa.

"Nosso objetivo é ter certeza de que o EI não é uma ameaça permanente para a região", disse ele, usando a sigla que denomina o grupo militante. "E nós podemos fazer isso. Vai levar algum tempo e muitos esforços."

Sotloff, 31, nascido em Miami, fazia trabalhos freelancer para as revistas Time e Foreign Policy quando desapareceu há um ano na Síria e não foi visto novamente até divulgação do vídeo que mostrava a decapitação de Foley. Vestido com um macacão laranja contra uma paisagem árida síria, Sotloff foi ameaçado de morte, a menos que os EUA parassem com os ataques aéreos sobre o Estado islâmico.

No vídeo distribuído terça e intitulado "Uma segunda mensagem para a América", Sotloff aparece com um macacão semelhante ao usado anteriormente para ser decapitado por um militante do Estado islâmico, grupo sunita que conquistou vastas faixas de território em toda a Síria e no Iraque e declarou seu califado.

O chanceler britânico Philip Hammond disse à BBC na quarta que o mascarado jihadista com sotaque britânico parece ser a mesma pessoa que aparece no vídeo de Foley. Nas imagens, a organização ameaça também matar outro refém, identificado como um cidadão britânico.

Na semana passada, a mãe de Sotloff, Shirley Sotloff, suplicou a seus captores por misericórdia, dizendo em um vídeo que seu filho era "um jornalista inocente" e "um homem honrado" que "sempre tentou ajudar os fracos." Obama disse que as orações do povo americano estão com a família do "jornalista devotado e corajoso" que amou profundamente o mundo islâmico e cuja "vida estava em contraste com aquelas que o assassinaram de forma tão brutal."

"O que quer que esses assassinos acham que vão conseguir assassinando inocentes como Steven já falhou", disse Obama. "Nós não vamos ser intimidados. Seus atos terríveis vão apenas nos unir ainda mais". A porta-voz do Departamento de Estado, Jen Psaki, disse acreditar que "alguns" americanos ainda estão sendo mantidos reféns pelo Estado islâmico.

Jen não deu quaisquer detalhe sobre essas vítimas, mas especula-se que uma delas seja uma mulher de 26 anos que foi sequestrada enquanto fazia trabalho de ajuda humanitária na Síria, de acordo com um representante da família que pediu para não identificar a refém por temer por sua segurança.

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