Silicone no seio precisa de revisão

Maioria das mulheres não retorna aos consultórios, o que pode resultar em danos à saúde

Por bferreira

Rio - Muitas mulheres sonham em implantar próteses de silicone nos seios. Por isso, chegam a passar anos juntando dinheiro para pagar o procedimento, que pode custar até R$ 15 mil. Porém, nove em cada 10 mulheres não retornam ao consultório médico para as revisões anuais, o que pode trazer sérias consequências para o resultado da cirurgia — como endurecimento, dores, rejeição e até mesmo a ruptura do material.

“A mulher acredita que está tudo bem com ela e não volta ao médico. Implante de silicone precisa de tanta observação quanto a feita por um ginecologista”, afirma o cirurgião plástico Rogério Figueira, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e do Hospital Barra Day. O principal risco é o da contratura capsular, que ocorre quando uma cicatriz esférica, secundária ao processo de cicatrização da prótese, provoca endurecimento, distorção e dor nas mamas.

TROCA DE IMPLANTE

Segundo o médico, mulheres que sofrem a contratura só voltam a procurar um especialista quando o problema já está aparente, tornando o tratamento complicado. Nesses casos, metade das pacientes precisa se submeter a cirurgias, podendo chegar até mesmo a ter que trocar o implante. “Se elas voltassem no tempo correto, que é uma vez por ano, descobririam o mal em estágio inicial e poderiam tratá-lo de maneira menos invasiva”.

Além da contratura, outros problemas podem surgir após a cirurgia, como a rejeição da prótese, quando o organismo forma uma membrana em volta do silicone para tentar expulsar o corpo estranho. “Nesse caso, o seio pode ficar levemente deformado, mais arredondado que o normal”, explica o médico.

Outra possibilidade é a ruptura da prótese, que normalmente força a realização de uma nova cirurgia para troca do silicone. O cirurgião garante, contudo, que a ruptura não traz riscos à saúde das mulheres se o material implantado for de boa qualidade. “Marcas confiáveis possuem silicone mais viscoso, o que o mantém restrito à região da mama mesmo que ocorra vazamento”, confirma o cirurgião.

Prótese perde só para a lipo

Segunda cirurgia plástica mais popular no mundo, perdendo apenas para a lipoaspiração, o implante de silicone nas mamas é feito em cerca de 100 mil brasileiras por ano, segundo números de 2009 do Ibope.

Com isso, o país ocupa a segunda colocação no ranking mundial de colocação de próteses mamárias, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. Na relação com o número de habitantes do país, as posições se invertem, e é o Brasil que assume a liderança.

Além disso, este tipo de implante responde por 22% das cirurgias estéticas realizadas em todo o Brasil. Logo depois, vêm a lipoaspiração e as intervenções no abdômen, pálpebras, nariz e orelhas.

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