Por leonardo.rocha

Estados Unidos - O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, indiciou nesta quarta-feira que impedir a tomada da cidade síria de Kobani por combatentes do Estado Islâmico não é um objetivo estratégico dos Estados Unidos, e disse que a ideia de uma zona tampão precisa ser amplamente estudada.

"Apesar de ser horrível assistir em tempo real o que está acontecendo em Kobani. Mas você tem que dar um passo atrás e entender o objetivo estratégico", disse Kerry a repórteres em entrevista coletiva ao lado do secretário do Exterior britânico, Philip Hammond.

Secretário de Estado dos EUA%2C John Kerry%2C durante coletiva de imprensa em WashingtonReuters


"Apesar da crise em Kobani, as metas originais de nossos esforços têm sido os centros de comando e controle, a infraestrutura", disse. "Estamos tentando privar o (Estado Islâmico) da capacidade global de fazer isso, não apenas em Kobani, mas por toda a Síria e no Iraque."

Kerry disse ainda esperar que a Turquia, que cobrou a imposição de uma zona de exclusão aérea, o estabelecimento de uma zona tampão na Síria e um maior esforço contra as forças do presidente sírio, Bashar al-Assad, decida "nas próximas horas e dias" sobre o papel que pode ter contra o Estado Islâmico, o qual é chamado pelo governo dos EUA de Isil.

A França disse na quarta-feira que apoia a ideia de estabelecer uma zona tampão entre a Turquia e a Síria para criar um local seguro destinado a pessoas desabrigadas, informou o gabinete do presidente François Hollande após conversa com seu homólogo da Turquia.

O britânico Hammond reagiu com cautela à ideia, assim como Kerry, ponderando que isso já foi proposto há algum tempo e que o assunto precisa ser estudado de perto.

Mais cedo, seis ataques aéreos da coalizão liderada pelos Estados Unidos contra o Estado Islâmico atingiram militantes perto de Kobani na terça e nesta quarta-feira, de acordo com os militares norte-americanos.

O Comando Central dos EUA (Centcom, na sigla em inglês) afirmou em um comunicado nesta quarta-feira que os ataques destruíram um veículo blindado de transporte de pessoal, veículos armados e peças de artilharia pertencentes ao grupo radical sunita.

As incursões aéreas foram parte de nove ataques na Síria ao longo dos dois últimos dias, conduzidos com os Emirados Árabes Unidos, usando bombardeiros, caças e aeronaves não tripuladas, informou o Centcom. "Todas as aeronaves saíram das áreas atacadas em segurança", acrescentou.

A ofensiva perto de Kobani parece ter repelido a facção militante, que aparentava ter ocupado a cidade síria, que faz divisa com a Turquia, após um cerco de três semanas. Os ataques aéreos na área redobraram depois que o Estado Islâmico hasteou sua bandeira negra no lado leste de Kobani na segunda-feira.

Dois outros ataques visando o Estado Islâmico perto de Raqqa, na prática, a capital do grupo na Síria, atingiram um campo de treinamento dos militantes e os combatentes no local, segundo o Centcom. Outra incursão perto de Deir al-Zor destruiu um tanque, afirmou o comando.

Os EUA, a Grã-Bretanha e a Holanda também realizaram cinco ataques contra o Estado Islâmico no Iraque na terça e na quarta-feira usando caças e aeronaves não tripuladas, afirma o comunicado.

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