Por leonardo.rocha

Buenos Aires - Órgãos em 3D, próteses sob medida e casos de pacientes tetraplégicos que recuperaram a mobilidade foram alguns dos avanços debatidos durante o quarto Congresso Internacional sobre tratamentos inovadores com células-tronco, que termina nesta segunda-feira em Buenos Aires.

"Há apenas dois anos os modelos de órgãos 3D eram um projeto distante, e hoje quase chegamos a fabricar próteses sob medida", afirmou à Agência Efe Gustavo Moviglia, diretor do Centro de Pesquisa em Engenharia de Tecidos e Tratamentos Celulares, da Universidade Maimônides de Buenos Aires.

Pesquisador argentino apresentou resultados positivos de teste clínico que dirigiu durante 12 anosFernando Souza / Agência O Dia

O pesquisador argentino apresentou os resultados de um teste clínico que dirigiu durante 12 anos no qual pacientes tetraplégicos e paraplégicos recuperaram a mobilidade dos membros.

"Chegamos a uma técnica muito clara e concreta, com células obtidas a partir da gordura dos próprios pacientes, que precisava ser testada em um caso clínico perfeito, ou seja, com os piores pacientes que poderia haver, aqueles crônicos com uma lesão congênita", explicou o pesquisador.

Os oito pacientes que fizeram parte do ensaio de Moviglia, três tetraplégicos e cinco paraplégicos com entre três e 12 anos pós-acidente, recuperaram total ou parcialmente a mobilidade dos membros e não foram registrados efeitos secundários adversos graves, expôs o médico.

"Um dos pacientes que pintava com a boca agora pode fazê-lo com a mão, por exemplo", contou médico argentino.

"Estas lesões afetam 300 mil pessoas só nos Estados Unidos e entre 30 mil e 60 mil na Argentina, e os resultados alcançados abrem um novo panorama tanto para os pacientes, como para os tratamentos com células-tronco", acrescentou.

Uma das maiores questões levantadas por Moviglia para a ampliação do uso de células-tronco é a regulação internacional, porque cada país tem autonomia para determinar o destino dessas células e o tipo de informação dado à sociedade a respeito.

"Já há várias sociedades internacionais que acreditam que o que fazemos segue critérios científicos, isso também vai permitir informar melhor a sociedade", afirmou o pesquisador argentino.

"Às vezes o que chega para as pessoas é que implantar uma célula-tronco é como dar uma aspirina e é exatamente o oposto disso; não é uma droga que tem uma ação química pontual, mas um organismo vivo que, quando colocado dentro do corpo começa a interagir e canalizamos essa ação para que solucione problemas de saúde".

O especialista argentino afirmou que, apesar dos avanços na área de tratamento celular serem rápidos e terem se potencializado nos últimos anos, isto só acontece hoje em consequência de estudos anteriores "lentos e trabalhosos", alguns sedimentados há meio século.

Moviglia ressaltou que o design de órgãos evolui mais nas especialidades de cardiologia, plástica e urologia. Ele acredita que ainda há muito para avançar nas áreas neurológica, cardiológica e traumatológica e confia que o próximo congresso traz evoluções significativas que superarão as atuais expectativas.

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