Cientistas alcançam recorde ao resfriar cobre perto do 'zero absoluto'

Revelação foi feita nesta quarta-feira pelo cientista italiano Carlo Bucci, pesquisador do Instituto Nacional de Física Nuclear

Por leonardo.rocha

Roma - Um grupo de cientistas registrou um recorde na Itália ao conseguir resfriar um metro cúbico de cobre a uma temperatura próxima ao "zero absoluto" (0 na escala Kevin ou 273,15 graus Celsius negativos), em uma etapa que precede outro experimento para estudar a natureza dos neutrinos.

A revelação foi feita nesta quarta-feira pelo cientista italiano Carlo Bucci, pesquisador do Instituto Nacional de Física Nuclear (INFN) e porta-voz do projeto Observatório Criogênico Subterrâneo para Fenômenos Raros (Cuore, na sigla em inglês).

Participam desse grupo de estudos 130 cientistas da Itália, Estados Unidos, China, Espanha e França. Eles só iniciarão os trabalhos no ano que vem, apesar dos resultados positivos já obtidos hoje.

Para Bucci, o construir uma estrutura de refrigeração capaz levar o cobre ao "zero absoluto", necessária para o desenvolvimento do Cuore, era a etapa considerada mais complicada do projeto.

O INFN anunciou que conseguiu levar um metro cúbico de cobre a 6 milikevin (-273,144ºC), próxima ao "zero absoluto" (-273,15ºC). Foi a primeira vez que os cientistas alcançaram essa temperatura usando um objeto de cobre com essa massa e volume.

A estrutura, de cerca de 400 quilos, permaneceu nesta temperatura fria por 15 dias. O objetivo do projeto é estudar um fenômeno chamado "dupla desintegração beta".

Revelar esse processo, explicou Bucci à Agência Efe, permitiria não só determinar a massa dos neutirnos, mas também demonstrar a eventual natureza da partícula.

Registrar a experiência dessa partícula, que deriva da teoria do físico italiano Ettore Majorana na década de 1930, proporcionaria, além disso, uma explicação para a existência de mais matéria do que antimatéria no universo.

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