Quase 40% das moças já cederam a pedido do parceiro para não usar camisinha

Pesquisa 'Violência contra a mulher: o jovem está ligado?' foi feita com cerca de dois mil jovens entre 16 e 24 anos

Por karilayn.areias

Rio - No relacionamento, um pedido do parceiro pode pôr em risco a saúde do casal. Na mesma semana em que o Ministério da Saúde divulgou o aumento do número de casos de Aids entre jovens, outra pesquisa revelou que 37% das mulheres entre 16 e 24 anos já abriram mão da camisinha na relação sexual. O motivo: a insistência dos rapazes para não usar. Especialistas condenam a ‘concessão’, que é motivada por uma mistura de paixão e imaturidade.

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A pesquisa ‘Violência contra a mulher: o jovem está ligado?’ foi feita pelo Instituto Avon e pelo Data Popular, com cerca de dois mil jovens da faixa etária. “Na adolescência, a pessoa ainda não tem estrutura completa, ainda está descobrindo o sexo e não tem muita consciência dos riscos”, afirma Amaury Mendes Júnior, professor e médico do Ambulatório de Sexologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). “A menina muitas vezes cede para não atrapalhar o momento.”

Além da Aids, Amaury lembra que outras doenças podem ser provocadas pela dispensa da camisinha, como o câncer de colo de útero — em decorrência do papilomavírus humano (HPV). O especialista conta que, nos últimos cinco anos, cresceu o número de jovens que buscam tratamento para o HPV. Hoje, Amaury cuida, em média, de seis casos por semana. “Há um tempo, quase não havia este tipo de paciente. Atribuo isso à falta de orientação em casa.”

Para Jorge José Serapião, especialista em terapia sexual da Associação de Ginecologia e Obstetrícia do Rio de Janeiro, as meninas não devem aceitar os pedidos masculinos. “Elas cedem porque estão apaixonadas, e esse processo tira a racionalidade. Não pensam nos riscos, nem julgam.”

Aos 16 anos, Valéria Piassa Polizzi, hoje com 43, começou a namorar, teve sua primeira relação sexual sem preservativo e foi infectada com o vírus HIV. Dois anos mais tarde, após sentir dor no estômago, ela descobriu a doença. A experiência pessoal foi parar no livro ‘Depois daquela viagem’, lançado em 1997. Hoje ela dá palestras e orienta jovens. Sobre o índice de meninas que cedem aos pedidos do parceiro, ela acredita que não é característica exclusiva dessa geração. “Isso sempre aconteceu. Na minha época já era assim e vai continuar enquanto as escolas não fizerem um trabalho sério de educação sexual.”

Insegurança

Para Jorge José, por trás da insistência do rapaz está o medo de ‘falhar’. isso porque colocar o preservativo pode afetar a ereção e a relação sexual. “Essa paradinha para colocar o preservativo é dramática.”

Tratamento
Desde 1996, o SUS distribui o coquetel anti-Aids para todos que necessitam. Eles não matam o HIV, mas ajudam a evitar o enfraquecimento do sistema imunológico do paciente.

Teste
Na rede municipal de saúde do Rio, unidades básicas fazem teste para diagnóstico de HIV e sífilis.

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