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Egípcio é condenado à prisão após admitir não acreditar em Deus

Leis do maior país da África não proíbem o ateísmo, assim, Karim al-Banna acabou condenado por 'insultar o islamismo'

Por tamara.coimbra

Egito - Um estudante egípcio de 22 anos foi condenado a três anos de prisão após ter admitido em sua página no Facebook que é ateu. O caso, repercutido no site do tabloide britânico "Daily Mail" nesta segunda-feira, ocorreu na cidade de Idku, localizada no delta do Rio Nilo.

Mais do que a prisão por não acreditar em Deus, algo que não é permitido no maior país africano, o caso impressionou na forma como se deu a condenação de Karim al-Banna. Isso porque, de acordo com o tabloide, o jovem só foi preso devido a denúncias de familiares e vizinhos, que teriam criado uma emboscada para prendê-lo em sua cidade.

Advogada da Associação para a Liberdade de Pensamento e Expressão do país, Fatma Serag afirma que Banna foi convidado pelos vizinhos para falar sobre seu post em um café local, onde a polícia já aguardava o jovem. Outro advogado, chamado Abdel Nabi, disse que o pai de seu cliente testemunhou contra o próprio filho durante o julgamento, alegando que ele estava "abraçando ideias extremistas contra o islã".

Banna foi considerado culpado por insultar o islamismo. A pena é válida de acordo com as leis egípcias sempre que alguém é visto como difamador das três religiões legais no país — além do islã, o judaísmo e o cristianismo.

Sem novidades

Apesar de seu aspecto insólito, a condenação não é uma novidade no Egito. Em dezembro, o blogueiro Alber Saber, então com 27 anos, foi condenado a três anos de prisão por "blasfêmia". Em junho passado, um cristão recebeu pena de seis anos por "insultar o islã".

A escritora Fatma Naoot está sendo atualmente julgada após criticar uma tradição islâmica que valida o sacrifício de ovelhas durante as festividades do Eid al-Adha (Festa do Sacrifício).

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