Por tamara.coimbra

Rússia - Um suspeito checheno de assassinar o líder da oposição russa Boris Nemtsov é um "profundo crente" que ficou chocado com as charges do Charlie Hebdo do profeta Maomé, disse o líder checheno Ramzan Kadyrov no domingo.

Investigadores russos disseram na semana passada que estavam analisando a possibilidade de que militantes islâmicos tinham assassinado a tiros Nemtsov, um liberal, por sua defesa das charges no jornal semanal satírico francês Charlie Hebdo.

"Todos que conhecem Zaur (Dadayev) confirmam que ele é um crente profundo e também que ele, como todos os muçulmanos, ficou chocado com as atividades de Charlie e comentários de apoio aos desenhos", escreveu Kadyrov em sua conta no Instagram.

Kadyrov também confirmou que Dadayev, um dos cinco suspeitos detidos por suposto envolvimento no assassinato de Nemtsov em 27 de fevereiro, foi um membro da polícia chechena e chegou a ser condecorado por bravura.

Suspeito confessa envolvimento no assassinato

O checheno Zaur Dadaev, um dos cinco detidos pelo assassinato do opositor liberal russo Boris Nemtsov, confessou neste domingo seu envolvimento no crime.

"Dadaev admitiu envolvimento no crime. A culpabilidade de Dadaev fica corroborada por sua confissão", disse a juíza do caso, Natalia Mushnikova, às agências de notícias locais. Por isso, acrescentou ela, "há motivos para adotar medidas cautelares", em relação à ordem de manter sob prisão preventiva o acusado até 28 de abril.

Funeral do líder de oposição da Rússia Boris Nemtsov%2C morto com quatro tiros nas costas em MoscouEFE

Dadaev, que foi detido neste sábado, afirmou que está desempregado e pediu ao juiz que não determinasse sua prisão. "Nunca antes fui acusado penalmente. Espero que meu caso seja tratado com justiça", disse.

Antes, os instrutores que investigam o caso de assassinato apresentaram acusações formais contra Dadaev e Anzor Gubashev, que negou qualquer envolvimento no assassinato. No total, as forças de segurança detiveram cinco pessoas, três delas neste sábado — Dadaev, Gubashev e seu irmão Shaguid — e duas nas últimas horas, Ramzat Bakhaev e Tamerlan Eskerkhanov.

Os três últimos, que "mantêm o status de suspeitos", segundo informou à imprensa local uma porta-voz do Tribunal Basmanni, de Moscou, também defenderam sua inocência.

"Os detidos negam estar envolvidos no crime, mas a investigação tem provas de sua participação", afirmou um representante da Corte. O Tribunal ordenou que os três sejam colocados em regime de prisão preventiva, também até 28 de abril, por temor de que fujam, exerçam pressão sobre os investigadores ou ameacem outras testemunhas.

Tanto o advogado da família de Nemtsov como outros opositores, deputados e defensores dos direitos humanos pediram às autoridades que encontrem não só os autores materiais do crime, mas também possíveis mentores. Os correligionários de Nemtsov acusam o Kremlin não de apertar o gatilho, nem de encomendar o assassinato, mas de criar o ambiente para o crime ao plantar a "semente do ódio" contra os que criticam a anexação da Crimeia e se opõem à ingerência militar na Ucrânia.

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