Deprimida, mulher mata as três filhas por não conseguir ter menino

Índia 'perde a cada dia' cerca de 7 mil meninas antes dos 6 anos, algumas assassinadas logo após o nascimento

Por clarissa.sardenberg

Índia - A indiana Radha Devi, de 27 anos, matou suas três filhas e depois tentou se suicidar porque estava deprimida por não conseguir ficar grávida de um menino, informou nesta terça-feira a imprensa local. Segundo a polícia, a mulher tentou suicídio na tarde desta segunda-feira, em Nova Délhi, se pendurando em uma árvore, mas acabou sendo resgatada por pedestres. Na Índia, a sociedade ainda é notória a preferência por crianças do sexo masculino.

Ao pé da árvore na qual a mulher tentou se suicidar, estavam os corpos de suas três filhas de 8 meses, 3 anos e 8 anos, que ao que tudo indica foram estranguladas. Antes de assassinar as meninas, Devi ligou para seu marido para contar sobre sua intenção, mas quando o homem chegou ao local do fato suas filhas já estavam mortas.

Mulher as matou três filhas%2C aparentemente%2C por estrangulamento%2C na Índia Reprodução India TV

Radha passava por um tratamento médico por depressão e ansiedade e narrou à polícia no hospital para onde foi levada que não era feliz, ao ser incapaz de engravidar de um filho homem. Na Índia a preferência pelos meninos ocorre porque o filho perpetua a linhagem, herda a propriedade e cuida de seus pais na velhice, enquanto, no caso das meninas, os progenitores devem pagar um grande dote à família do namorado.

Como causa desse fator cultural, no gigante asiático são praticados de maneira ilegal abortos seletivos e feticídios femininos. O censo indiano de 2011 revelou que há 7,1 milhões de meninos a mais que meninas com idades compreendidas entre os 0 e 6 anos; e no total da população indiana (de 1,2 bilhão de pessoas), há 940 mulheres para cada mil homens.

Segundo a ONG ActionAid, a Índia "perde a cada dia" cerca de 7 mil meninas que morrem antes de completar 6 anos, algumas porque são assassinadas logo após nascer, em uma sociedade que "em grande medida despreza a mulher".

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