Comandante dos EUA nega ordem para ignorar abuso sexual de crianças

Jornal afirmou que aliados abusam constantemente de menores afegãos. Soldado já disse que toda noite ouvia gritos

Por clarissa.sardenberg

Estados Unidos - O comandante da Otan e das forças dos Estados Unidos no Afeganistão, general John Campbell, afirmou nesta terça-feira que não existe uma política para ignorar abusos sexuais a menores de idade praticados pelos aliados afegãos, dois dias depois de a imprensa americana denunciar esta prática.

"Estou absolutamente convencido de que não existiu nunca uma política assim (de ignorar os abusos sexuais) e definitivamente não existiu durante meu mandato como comandante", expressou Campbell em comunicado. O general indicou que "espera que qualquer suspeita de abuso sexual seja reportada imediatamente, sem levar em conta que perpetra o crime ou que são as vítimas", e caso afegãos estejam envolvidos, pedirá ao governo do país asiático para que tome medidas.

Estados Unidos foram acusados de ignorar abuso sexual a crianças no Afeganistão Reuters

"Falei pessoalmente com o presidente (Ashraf) Gani sobre esta questão e ele deixou claro que o governo afegão não tolerará o abuso de crianças nem de ninguém, que investigarão todas as denúncias e a justiça será feita", explicou Campbell.

O "New York Times" denunciou neste domingo a suposta conivência do exército americano aos abusos sexuais de menores de idade praticados por seus aliados no Afeganistão, denúncia repercutida pela emissora "Fox" um dia depois.

O jornal nova-iorquino contou a história de Gregory Buckley, um soldado morto em um ataque no Afeganistão em 2012 que antes de morrer denunciou durante um telefonema com seu pai que podia ouvir os policiais afegãos abusarem sexualmente de crianças que levavam para sua base.

"À noite podemos ouvi-los gritar, mas não nos permitem fazer nada a respeito", contou Buckley ao seu pai, que denunciou o caso ao "NYT". As revelações provocaram polêmica nos EUA, e até a Casa Branca se declarou hoje "muito preocupada" com a segurança das crianças afegãs.

O Pentágono se defendeu garantindo que jamais teve uma política que estimule os militares "a ignorarem abusos contra os direitos humanos", embora em comunicado enviado à "Fox News" um porta-voz das forças americanas no Afeganistão tenha dito que os soldados não são obrigados a informar sobre casos de abusos a menores.

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