Por rafael.souza
Pequim - O governo da China garantiu nesta sexta-feira que "não tolerará aqueles que defendem o terrorismo", em referência à expulsão da jornalista francesa Ursula Gauthier, correspondente da revista "Le Nouvel Observateur" (L'Obs), que teve que abandonar ontem Pequim após a recusa para renovar seu credenciamento de imprensa.
"Garantiremos os direitos dos meios e dos jornalistas estrangeiros que cobrem a China, mas nosso governo e nosso povo não tolerarão a defesa do terrorismo em nome da liberdade", destacou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês Lu Kang, citado pela agência "Ximhua".
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Lu afirmou que uma pesquisa na internet mostrou que mais da metade dos franceses apoiavam a decisão da China, e ressaltou que isso "indica que a maioria da comunidade internacional defende a justiça e combate ao terrorismo", embora a "Xinhua" não tenha detalhado a origem dessa pesquisa.
Gauthier foi expulsa da China por causa de um artigo publicado em novembro no qual culpava a política do regime comunista chinês em sua região ocidental de Xinjiang pela proliferação de ataques terroristas e armados no país.
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Por causa de seu artigo, Gauthier recebeu ameaças de morte, algumas inclusive publicadas em comentários de meios oficiais chineses como "Global Times" em sua versão digital.
A expulsão de Gauthier causou ontem reações do governo da França e da União Europeia, que expressaram pesar pela medida tomada pela China e pediram que reconsiderasse e permitisse que a repórter francesa retornasse.
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Enquanto a reação de Paris foi relativamente moderada, desde Bruxelas o escritório de imprensa da chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, afirmou que a expulsão vai "contra dos compromissos assumidos por Pequim durante sua última revisão Periódica Universal" na ONU sobre o estado dos direitos humanos.