Por raphael.perucci
Publicado 27/07/2013 19:36 | Atualizado 29/07/2013 16:08

Rio - Na semana da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), o Rio enfrentou diversos problemas de mobilidade urbana, que podem servir de lições para os próximos eventos internacionais do país. Um dos itens mais criticados foi o incidente do metrô, quando uma queda de energia, no dia 23, provocou a paralisação por mais de duas horas das duas únicas linhas. A pane, consequentemente, sobrecarregou o sistema de transporte rodoviário, que circulou com ônibus lotados.

Pane no metrô%2C horas esperando nos pontos de ônibus e conduções superlotadas foram alguns dos problemas apresentados durante a JornadaJoão Laet / Agência O Dia

De acordo com o presidente do Comitê Rio de Transportes (órgão que avalia a gestão pública do setor) e professor de Engenharia de Tráfego da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Paulo Cezar Ribeiro, a operação do metrô tem pontos de interseção entre as duas linhas (sistema em Y) e é muito frágil.

“O ideal é que as operações de duas linhas não sejam sobrepostas em um trecho. Em caso de pane, para tudo no Rio, algo que não aconteceria em São Paulo”, compara. A interação entre os órgãos públicos e privados na área de Transportes também ficou a desejar. “Um grande erro foi a falta de comunicação e do trabalho multidisciplinar. Para os Jogos Olímpicos e Copa, terá que ser diferente. É necessário haver uma equipe melhor treinada. As possíveis crises precisam ser simuladas e deve haver um monitoramento mais eficiente do tráfego”, comentou Ribeiro.

Além da pane no metrô e de o Papa ter ficado preso em um engarrafamento, os participantes da JMJ no Rio enfrentaram verdadeiro calvário, com espera de até cinco horas por ônibus e metrô extremamente lotados, para deixar Copacabana.

Centenas de pessoas ficaram sem transporte por causa do fechamento do metrô na última terça. Na imagem%2C a Estação Carioca lotadaJoão Laet / Agência O Dia


Internet foi pouco usada

O uso de aplicativos de Internet, seja por smartphone ou por computador, também poderiam ter ajudado a informar os peregrinos sobre alterações no trânsito e na oferta de transporte. A ferramenta permitiria que moradores da cidade dividissem seu conhecimento. “Repassar dados através de aplicativos de smartphone, painéis eletrônicos e gráficos espalhados em pontos estratégicos são essenciais. Pessoas orientadas podem colaborar e planejar seus itinerários, o que causa menor impacto na mobilidade”, explicou o professor da PUC José Leal.

'Deveriam ter colocado ônibus extras'

O professor de Planejamento e Operação de Sistemas de Transportes da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) José Eugênio Leal avalia que deveriam ter colocado mais ônibus extras para atender aos eventos. “Faltou monitoramento prévio para saber onde esses turistas iriam se alojar, para dispor de uma boa rede de condução na região e até oferecer linhas especiais nos lugares com maior demanda, como a Central do Brasil”, ressaltou o especialista.

Governo abre nova rodada para receber projetos
Propostas tentam garantir parte dos recursos de R$ 50 bi prometidos por Dilma

O Ministério do Planejamento abriu a segunda rodada de reuniões para receber, de prefeitos e governadores, projetos de mobilidade urbana. Quem iniciou essa nova fase foi o Distrito Federal (DF), que apresentou seis novas propostas que somam R$ 4,8 bilhões. A agenda com as datas das próximas reuniões ainda não foi divulgada.

Nos dias 8, 9 e 10 de julho, a ministra Miriam Belchior (Planejamento) e o ministro Aguinaldo Ribeiro (Cidades) receberam representantes das oito maiores regiões metropolitanas do país — São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Minas Gerais, Ceará, Paraná, Rio Grande do Sul e Pernambuco — que levaram novos projetos de mobilidade urbana e discutiram outros já em andamento.
Todos pleiteiam uma parte dos recurso de R$ 50 bilhões anunciados para setor por Dilma Rousseff, após as manifestações pelas ruas do país.

As demandas recebidas pelo governo federal já somam R$ 56,8 bilhões. A ministra do Planejamento reconheceu, na semana passada, que apenas “uma parte muito pequena” do total das verbas deve ser liberada ainda este ano. Segundo ela, a prefeitura ou estado com projeto pronto, que puder licitar logo, será mais rapidamente atendido.

“O governo do DF tem três obras, que estão com boa execução. Tem uma que deve ser a primeira do PAC Mobilidade Grandes Cidades a terminar, com data prevista ainda para este ano”, disse o secretário do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2). De acordo com o governador do DF, Agnelo Queiroz, as propostas apresentadas privilegiam os corredores BRT (sigla para Bus Rapid Transit).


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