Câmara Metropolitana quer um Plano Diretor para toda a região

Órgão pretende aprovar diretrizes para o planejamento urbano e de transportes na Alerj

Por daniela.lima

Rio - O governo estadual vai contratar empresa de consultoria para elaborar o Plano Diretor da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. A ideia é que o documento, que deve fazer o macrozoneamento da área, apontando para onde a região deve crescer e se desenvolver — e como a rede de transportes deve se expandir —, seja enviado para a aprovação da Assembleia Legislativa no ano que vem.

Implantação de BRT ou trem sobre a Ponte Rio-Niterói é defendida pela nova Câmara MetropolitanaCarlos Eduardo Cardoso / Agência O Dia


“Estamos contratando agora a consultoria. O prazo para a conclusão do trabalho deve ficar em torno de um ano. O próximo governo deve enviar o plano à nova legislatura, que começará em 2015”, afirmou o subsecretário estadual de Urbanismo e coordenador da recém-criada Câmara Metropolitana de Integração Governamental do Rio de Janeiro, Vicente Loureiro. Ele participou do debate promovido pelo Observatório da Mobilidade, sobre soluções para a mobilidade urbana na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

No evento, que reuniu ainda o economista e urbanista Mauro Osório, da UFRJ, Riley Rodrigues, consultor de competitividade industrial da Firjan, e o engenheiro Rômulo Orrico, da Coppe, foi discutida a importância do planejamento urbano para a melhoria da mobilidade.</CW> “É uma excelente notícia se esse Plano Diretor para a Região Metropolitana for mesmo aprovado na Assembleia Legislativa”, comemorou Osório.

Na avaliação do urbanista, a lógica do planejamento urbano do Rio de Janeiro tem de ser de adensamento demográfico para reduzir as distâncias dos deslocamentos da população e o consequente impacto nos transportes. “Além do Centro, acho que a região suburbana do Rio deveria ser muito mais adensada. É preciso criar mais moradias nessa área”, avaliou.

Já Loureiro ressalta que é preciso desenvolver polos com empregos e serviços fora da capital para reduzir o fluxo nos transportes em direção ao Centro do Rio: “É preciso buscar centralidades na Baixada, em São Gonçalo e Niterói. Não é razoável que o morador de Nova Iguaçu tenha de vir ao Rio para ir ao médico ou ao cinema”.

Riley, da Firjan, apresentou dados sobre a disparidade entre o número de moradores e empregos. Segundo ele, enquanto, na capital, há um emprego para cada três moradores, em Belford Roxo, por exemplo, são 19 habitantes para cada posto de trabalho. “O trabalhador que tem de viajar duas horas para o trabalho já chega cansado e isso influencia também a produtividade. Então, é fundamental fazer o zoneamento da região para incentivar negócios em determinada área e diminuir essa disparidade”, comentou Riley.

Os especialistas também apontaram, no debate, os projetos de transporte mais urgentes para o Grande Rio, como mostrou a edição de ontem do DIA. A Câmara Metropolitana, que reúne governo estadual e as prefeituras da região, defendeu a implantação de um BRT ou transporte sobre trilhos na Ponte Rio-Niterói. A obra poderia ser negociada na licitação para a nova concessão, que deve ocorrer neste ano.

Reportagem: Cláudio de Souza e Paulo Maurício Costa

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