Por tamyres.matos
Publicado 20/05/2013 00:40 | Atualizado 20/05/2013 18:39

Rio - Estão morrendo de tédio ou o mundo vai muito desinteressante. Tudo é clichê. Até na tentativa de ser diferente todos acabam sendo iguais. As leituras apontam para o mesmo tom blasé, as notícias que repercutem são semelhantes, e é muito fácil ter audiência investindo nas fórmulas que estão aí. O que querem saber de diferente? Querem? A preguiça está estampada em livros, gostos, moda e atitudes. Os rompantes não são tão rompantes assim, são previsíveis, e pouca coisa surpreende.

Até as expressões ditas são todas iguais. “Isso me dá uma preguiiiiça”, falam. Preguiça da expressão que virou a palavra preguiça. Preguiça de falar preguiça para quem tem tédio. Como outras que viram mania, como as velhas “vamos combinar que...”, “ninguém merece”... “Já deu”. Por que precisamos falar todos iguais? Por que cada um não se expressa de um jeito, o seu próprio?

Nos achamos mais do que somos quando julgamos alguém e sequer temos a metade do que ele tem. Nos sentimos no direito de falar sobre Angelina Jolie, os herdeiros do trono da Inglaterra, Ronaldinho Gaúcho, o autor da novela. Rimos do sucesso alheio achando que foi fácil, ou desmerecendo-o, sem nos darmos conta do nosso próprio fracasso e de nossa competência para tal assunto. Somos todos Caetano Veloso, temos opinião inflamada sobre tudo. Ao mesmo tempo, não temos opinião alguma. É visível.

Dizem que o brasileiro tem personalidade simpática, é forte e não desiste nunca, mas esse conjunto de características está cada vez mais ofuscado por outros conceitos e traços como autocentrismo e falta de civilidade. É o cada um por si.

A pessoa vai para a Europa e acha superincrível que não tenha ninguém tomando conta das catracas de metrô e das roletas de estacionamento, mas aqui tem táticas para furar as filas do cinema e do teatro e para estacionar o carro em cima da calçada sem se preocupar se alguém é obrigado a passar pela rua por falta de espaço — seja sozinho, na cadeira de rodas ou com o carrinho de bebê.

O homem vai com a janela aberta do ônibus porque precisa de ar, sem se importar que esteja molhando de chuva a passageira de trás. O vizinho fica falando na varanda de madrugada, sabendo que o de baixo precisa acordar cedo para ir trabalhar. E o que chega tarde do trabalho é acordado cedo pelo vizinho de cima, que já dormiu o suficiente para que sua saúde fique bem. A do outro, quem se importa? É a volta da Lei de Gérson.

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