Por bferreira

Rio - No início de março, o ilustre desembargador Ricardo Damião Areosa, do Tribunal Regional do Trabalho, e sua esposa foram encurralados por chamas em seu próprio apartamento. Não puderam sair. Quando o fogo chegou às janelas onde estavam, no quarto andar de um edifício do Leblon, tiveram de saltar para a rua, depois de gritar por socorro mais de meia hora. Os bombeiros nada puderam fazer. Lamentavelmente, porque continuam não tendo o utensílio necessário. Areosa bateu a cabeça na calçada e morreu na hora. Sua esposa faleceu a caminho do hospital.

Os bombeiros de qualquer cidade da Europa ou dos Estados Unidos da América dispõem de um equipamento bastante simples, que pode ser feito de maneira artesanal. Consiste em um grande circular, que é sustentado firmemente, a meia-altura, pelas mãos dos bombeiros. Pode-se escrever no centro do círculo, com letras grandes: “Pule aqui”. Até a altura de dez a 12 andares, a pessoa se salva. Não morre e muitas vezes não sofre sequer um arranhão.

Há mais de 20 anos, no incêndio do Edifício Andorinha, na esquina das Avenidas Graça Aranha e Almirante Barroso, no Centro do Rio, morreram quase 20 pessoas, saltando para a rua, porque os bombeiros não tinham o mencionado equipamento, fácil de fazer e extremamente barato. A lona é dobrável, e a moldura é retrátil. Pode ser montado em menos de dois minutos.

O importante não é saber apenas se há água nos hidrantes ou por que a Escada Magirus ainda não chegou. O importante é salvar as vidas das pessoas que estão pulando para a rua!

Arquiteto e escritor. Autor do livro ‘Corco- vado: A conquista da montanha de Deus’

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