Por bferreira

Rio - Temos acompanhado um movimento reivindicatório que visava, em um primeiro momento, a protestar contra o aumento de míseros centavos na passagem de ônibus, mas que fazem brutal diferença no fim do mês para a grande massa trabalhadora. Movimento inicialmente pacífico, tendo recebido tratamento à base de balas de borracha e gás lacrimogêneo... uma vergonha!

Em seguida vieram as ainda não digeridas vaias à presidenta da República, representante maior de um sistema legalmente constituído, composto pelos três poderes nas instâncias federal, estaduais e municipais. Não foram vaias patrocinadas por mauricinhos da República, mas sonoro protesto contra tudo que está aí.

Construíram-se belíssimos estádios de futebol com o dinheiro público; afinal, costumava-se dizer que não há forma melhor de ‘manobra de massas’ do que alegrá-las com seus desejos populares. Quem diria, o mesmo futebol utilizado por muitos governos para desviar a atenção da população acabou por servir de estopim para a revolta popular. E que começa a tomar as cidades de forma preocupante para as mesmas autoridades que classificavam os movimentos como isolados... Se tem dinheiro para estádios, por que não tem para hospitais dignos, educação verdadeira, saneamento?

Tirando, é óbvio, os descontroles de pouquíssimos vândalos, os quais devem ser tratados com os rigores da lei — quando comparados às centenas de milhares de pessoas que já foram às ruas protestar, conforme direito previsto em nossa Constituição — fica o sinal claro de que o limite está chegando, que não queremos mais estar deitados em berço esplêndido, que queremos decência no trato da coisa pública. Exigimos mais atenção e respeito por nossos direitos; caso contrário, como diz refrão da propaganda, “Vem pra rua que a rua é a maior arquibancada do Brasil”. Não é por centavos; é por direitos!

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