Por tamyres.matos

Rio - Acordei com vontade de viver no futuro. Que futuro é esse, que ano é esse, não consigo descobrir. Mas tudo que leio ou fico sabendo que vai acontecer de muito bom ficou para o futuro. Sabia que os prédios novos, construídos no futuro, terão tratamento acústico, e nunca mais os moradores ouvirão o toc-toc-toc dos saltos altos da vizinha de cima? Não ouvirão também as portas batendo, os móveis sendo arrastados ou a música insuportável que os outros gostam.

O calor também será controlado por paredes inteligentes, de modo que o verão será amenizado, e o inverno, aquecido. No futuro, o exoesqueleto vai fazer andar quem tem dificuldades de locomoção e não será usado só para testes científicos, vai fazer parte da vida real. Uma espécie de esqueleto externo, feito de fibras de carbono, vai permitir que o paraplégico ande, e as suas pernas fracas serão substituídas por um caminhar forte e ritmado. No futuro, a cura do câncer, da Aids e da obesidade será realidade.

Do que é que vão morrer as pessoas do futuro, ainda não se sabe, mas as novas drogas que surgem a cada ano e as novas tecnologias avançam para promover a cura das doenças. O futuro ficará melhor neste sentido. Para alguns. Sempre para alguns. Para quem tem mais dinheiro. Fico pensando nas coisas mais triviais que me irritam, hoje, e como serão no futuro. Como será o comportamento das pessoas? Será que ainda usarão mochila? Será que ainda entrarão nos elevadores, quase derrubando os outros por conta da falta de noção do espaço ocupado pela mochila? Será que ainda jogarão lixo na rua? Será que ainda terão que fazer protestos, gritando pelas ruas para serem ouvidos? Será que os governantes eleitos, no futuro, pensarão em governar para o bem de todos, para o bem comum?

Quando li o livro ‘1984’, de George Orwell, achei que era loucura imaginar o mundo do futuro com câmeras espalhadas por toda parte, filmando todo mundo, espionando o dia a dia das pessoas. As câmeras espalhadas pelas cidades e pelos prédios identificam bandidos de toda sorte, ajudam a desvendar crimes, flagram o avanço de sinal e até ocupam a vida de quem não gosta muito da sua própria existência — e prefere espiar a vida alheia, daí o sucesso dos programas de tevê que vivem disto. No momento presente, o dinheiro e o poder econômico mandam geral e fazem o que querem.

Formam cartel, dominam o transporte coletivo, impedem investigações e avanços e chegam até a mudar o lugar de portadores de deficiência nos aviões. A partir do ano que vem o lugar deles, dos deficientes, vai ser bem no fundo do avião, para que as companhias aéreas possam cobrar mais caro os lugares mais espaçosos, na frente de suas aeronaves. O topa-tudo por dinheiro não é criação do momento presente. E duvido que fique diferente no futuro.

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