Por bferreira
Publicado 27/07/2013 00:16 | Atualizado 27/07/2013 01:58

Rio - É impressionante observar como o Papa Francisco é capaz de reunir tantos jovens de vários países nesta Jornada Mundial da Juventude. Andar pelo Rio, nos últimos dias, com essa galera, é algo indescritível. Nunca vi nada igual nesta cidade. Os jovens estão em todos os lugares, carregando suas bandeiras, com seus gritos de guerra.

Curioso. Não estão atrás de um cantor ou artista, mas de um líder religioso, conservador ou não, representante de uma igreja, sim, cheia de problemas, mas que defende fé, ética, esperança e solidariedade. Líder que fala num mundo não descartável, sem corrupção, consumismo, drogas, dinheiro e luxo.

Estive na acolhida na Praia de Copacabana. Ao meu lado: franceses, argentinos, brasileiros, filipinos, coreanos. Fiquei olhando, tentando entender o motivo de estarem ali. Pela festa? Pela fé? Mas tem algo a mais. Talvez, o fato de ter, do outro lado, um religioso que os incita, veementemente e corajosamente, a ser protagonistas do mundo de hoje, com palavras de ordem e valores, que fazem sentido para todos. E para todas as religiões.

Quem nos dias de hoje fala desta maneira com e para os jovens? Quem consegue reuni-los e ganhar atenção? Os pais? Poucos. A mídia? Não. A escola? Alguns professores, diria. A sociedade? Longe disso. Os políticos? Absolutamente. Daí o inusitado, o espanto e a descoberta. Um feito, no mínimo, histórico.
Se as lições do Papa serão adotadas, não sabemos. Mas podemos esperar de tudo destes jovens conectados. Independentemente de religião, isso é, sim, bonito de se ver, ainda mais num mundo cujas imagens são cada vez mais violentas e tristes.


Professor e jornalista especializado em Educação e Mídia

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