Leda Nagle: Maldade sem fim

Será que tem ‘cura’ para alguém que age assim? Pergunto na esperança que alguém me explique

Por bferreira

Rio - Eu sei que já disse esta frase aqui, mas não dá para não dizer de novo: quando a gente acha que já viu de tudo, eis que a vida nos assusta outra vez e a gente descobre que ainda tem muito absurdo pra ver por aí, sim. O caso deste menino de 13 anos, o Marcelo, aquele que matou a família e foi à escola (pelo menos é o que diz a polícia paulista) me tirou do sério.

Quando li as primeiras notícias, fiquei tão estarrecida que achei que era só uma loucura dos investigadores. Mas pelo que se lê, meninos de 13 anos são perfeitamente capazes de premeditar um crime, matar pai, mãe, avó e tia e até se matar num domingo qualquer. E respondem, calmamente, à pergunta do melhor amigo, da mesma idade, sobre o que quer ser quando crescer, dizendo: “Quero ser matador de aluguel”. E eu que nunca pensei que alguém desejasse esse “ofício”. Era um menino dócil, diz a família, que não acredita na história. Ou não quer ou não pode acreditar. Não brigou na escola, dizem os professores. Sabia atirar e gostava desta ação, diz a autoridade policial que conviveu com ele no quartel que o menino frequentava com o pai.

Sabia atirar e dirigia (aos 13 anos?) ao lado do pai, policial. Uma Suzane ainda mais jovem? E se ele não tivesse se matado? Será que tem “cura” para alguém que age assim? Pergunto na esperança que alguém me explique, mesmo sabendo que tem coisa que nem explicação resolve. A maldade humana não tem limite mesmo. Não vê o crime da mulher que matou a mãe e sequestrou o bebê, no Recreio dos Bandeirantes, porque queria se reconciliar com o marido? É uma gente má. Depois, ficam chocados quando a novela só trata de maldades. A vida real é pior, muito mais cruel do que as histórias da ficção. E não estou falando só de crimes e de mãos sujas de sangue, não.

Não vê a moça, burocrata, que dá entrevista na televisão explicando por que as 41 ambulâncias, que custaram R$ 104 mil cada (no total: R$ 4,2 milhões), devem ficar paradas e não atendendo à população do estado? Porque estas ambulâncias, segundo ela, fazem parte do estoque regulador. Deixa ver se entendi: compraram 50 ambulâncias, mas só usaram 9 porque 41 ambulâncias são estoque regulador? Elas estão paradas há sete meses, num estacionamento em Niterói, num estado que atende mal seus doentes? Qual é a lógica de comprá-las e não usá-las?

Comprou para quê? Será que a burocrata acredita que assim, com elas estacionadas no tal depósito, a situação de quem precisa de atendimento se resolve por si mesma? Ou será que ela tem receio de que, se colocar todas as ambulâncias em circulação, a população vai se esforçar pra adoecer mais?

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