Por adriano.araujo

Rio - É comum ouvir, em conversas informais, o termo ‘esclerose’ para definir o comportamento de alguém esquecido ou com algum tipo de limitação. Isso acontece porque a doença é facilmente confundida com a arteriosclerose, mal que impede a oxigenação do cérebro e tem relação com envelhecimento do indivíduo. A esclerose múltipla atinge 2,5 milhões de pessoas em todo o mundo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde, e configura uma patologia diferente da arteriosclerose.

De acordo com a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla — que hoje observa o seu Dia de Conscientização —, 35 mil brasileiros têm a doença, que é autoimune, não transmissível, e ainda sem cura. Apesar do estigma que carrega, é uma doença tratável, em que o paciente pode levar uma vida praticamente normal, tomando os cuidados necessários.
Diante da suspeita, é preciso procurar um neurologista, pois quanto mais cedo o diagnóstico, melhor é a qualidade de vida. Hoje, esse é o principal desafio: descobrir logo para iniciar o tratamento. Os sintomas costumam ser físicos, como fraqueza, alteração visual e sensitiva, mas podem aparecer de diversas formas.

Os estudos mais recentes apontam a origem da doença como uma predisposição genética, o que explicaria sua maior incidência entre mulheres e indivíduos de pele branca, e que pode se desenvolver entre os 20 e os 40 anos. Ao contrário do que o senso comum acredita, não é uma doença relacionada ao envelhecimento. Também é possível que fatores ambientais, ainda não identificados, sejam o gatilho para o início do mal.

Se a esclerose for diagnosticada ainda em estágio inicial, a medicação adequada pode, inclusive, evitar novas lesões. A esclerose múltipla é um mal inflamatório crônico, como a diabetes ou a tireoidite, por isso precisa de acompanhamento ao longo de toda a vida.

Ricardo Novis é neurologista da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro

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