Por tamyres.matos

Rio - Saudemos a classe trabalhadora e o compositor Moacyr Luz, idealizador do Samba do Trabalhador, paradoxalmente promovido às segundas-feiras no Clube Renascença e eternizado em CDs, DVDs e no YouTube.

Nesta homenagem, ao lado de Moa, figuram astros da MPB que celebrizaram a labuta. Entre eles, Wilson Batista e Roberto Martins. Estes, em 1949, compuseram a marchinha ‘Pedreiro Waldemar’, expondo fardo e injustiça. Considerada um manifesto comunista, por pouco não foi censurada. “Você conhece o pedreiro Waldemar? De madrugada toma o trem da Circular/ Faz tanta casa e não tem casa pra morar... o Waldemar que é mestre no ofício/ constrói o edifício/ e depois não pode entrar”.

Os foliões, nos anos 50, se esbaldaram nos carnavais com o samba ‘Zé Marmita’, de Jota Jr. e Luiz Antônio, enfocando, simbolicamente, as agruras do cotidiano da massa operária: “Quatro horas da manhã/ Sai de casa o Zé Marmita/ Pendurado na porta do trem/ Zé Marmita vai e vem...”. Solidário, no samba ‘Pedro Pedreiro’, de 1964, Chico Buarque, desde jovem atento ao sofrimento e ao labor da classe operária, sublinhou com maestria: “Pedro pedreiro penseiro esperando o trem ... E a mulher de Pedro/ Está esperando um filho/ Pra esperar também...”, abordando a questão da reprodução social na eterna possibilidade do esperar metaforicamente o trem (e melhores dias).

Recentemente, Arlindo Cruz, Sombrinha e Franco, em ‘Meu Nome é Trabalho’, exaltaram a flexibilidade do trabalhador que necessita sustentar a família e por isso precisa ser “pedreiro, carpinteiro/ Motorneiro e até motorista... Maquinista, copista/ Analista de computador...”.

Em suma, com sensibilidade, os compositores do nosso samba souberam reverenciar, expor e homenagear o trabalhador ratificando a importância daqueles que constroem e mantêm uma nação.

Miguel Ribeiro, professor de Geografia da Uerj, e Melissa Anjos, professora dos Roteiros Geográficos da Uerj

Você pode gostar