Por bferreira

Rio - Já se deu conta de que às vezes a gente faz coisas erradas porque simplesmente não percebe que deveria ou poderia agir de outra forma? Ou porque esquece do outro e do mal que pode, mesmo sem ter a intenção, causar a esse alguém? Pois é!

Mas será que a gente tem aprendido com as experiências pelas quais passa? As emoções do dia a dia ficam guardadas no nosso interior. Das boas fazemos questão de lembrar. Das difíceis e das ruins queremos mesmo é esquecer, fingir que não existiram, não é? Mas será que usar desses registros que nos marcaram e também do que nossos irmãos nos dizem sobre nós mesmos não nos ajudaria a ser pessoas melhores?

Sempre que penso sobre isso, lembro daquele amigo que alimentava esperança em várias meninas ao mesmo tempo, sem ter a intenção de se relacionar com nenhuma daquelas, por gostar de outra. Isso fazia bem ao seu ego e não lhe parecia ser nada de errado. Até que perguntei se ele não se importava em ferir essas pessoas, quando, apaixonadas por ele, percebessem que estavam iludidas. Ele, sinceramente, expressou que nunca havia pensado que sua atitude poderia causar decepção ou mesmo dor a alguém. E se comprometeu a não agir mais daquele modo. Foi preciso apenas tomar consciência de que o seu proceder poderia afetar a vida de alguém de forma negativa para, então, assumir o novo posicionamento, percebeu? Pequenas atitudes fazem diferença! Isso é sinal de conversão, de mudança de vida!

É por isso que ao rezar o trecho da Oração da Paz, mais conhecida como Oração de São Francisco, que meditaremos nesta semana, é importante que olhemos bem para o nosso interior:

“Onde houver erro que eu leve a verdade”

Não dá para ficar fingindo que sabemos de tudo e que, por isso, estamos sempre certos. Ou mesmo assumir que temos “Síndrome de Gabriela” (aquela da música do inesquecível Dorival Caymmi: “eu nasci assim, eu cresci assim, eu sou mesmo assim, vou ser sempre assim”). Não! A gente precisa aprender, com a voz da nossa consciência, sim — porque Deus fala muito conosco por meio dela —, mas também pelo que nossos irmãos revelam a nós sobre nós mesmos! Não adianta nada eu me achar um excelente sacerdote, ótimo amigo e filho se os que estão ao meu redor e me amam me percebem de um modo totalmente diferente. Eu preciso ter abertura e humildade para saber ouvir essas vozes e, assim, procurar ser melhor, mais humano e fraterno a cada dia. Isso é buscar a santidade nas pequenas coisas.

A verdade sobre nós mesmos faz maravilhas à nossa vida e à vida dos que estão ao nosso redor! Veja o que a bíblia diz: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (Jo 8,32). É isso! Quando a gente tem a coragem de aprender com os próprios erros, se torna livre de tudo o que oprime e não faz bem, livre das máscaras e, principalmente, do egoísmo. A gente cresce em maturidade e na graça de Deus. Eu quero levar verdade onde houver erro na meu proceder e no meu pensar. E você, topa o desafio de conhecer suas próprias verdades para ser alguém melhor? “Tamu” junto!

Padre Omar é o Reitor do Santuário do Cristo Redentor do Corcovado. Faça perguntas ao Padre Omar pelo e-mail [email protected] Acesse também www.padreomar.com e www.facebook.com/padreomarraposo

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