Por bferreira

Rio - A velha máxima de que não se pode fazer uma omelete sem quebrar os ovos vale perfeitamente para os transtornos à cidade causados pelas obras de revitalização da Região Portuária. O megaempreendimento vai revigorar o Centro do Rio, além de oferecer milhares de oportunidades de negócios e empregos. Mas a execução, que tem como maior complicativo a derrubada do Elevado da Perimetral, é o maior desafio ao poder público e à paciência de milhares de cariocas e fluminenses. O inferno dessa fritura que se tornou o intrincado trânsito no Centro, em meio aos canteiros de obras, promete piorar ainda mais hoje, com a volta do feriadão, como admite o próprio chefe do Executivo municipal, Eduardo Paes.

Pedidos para aqueles que se deslocam ao trabalho em direção ao Centro deixarem os carros nas garagens não faltarão. E faz muito bem o prefeito. Recentemente, quando do fechamento da via que corre por debaixo do viaduto condenado — a Rodrigues Alves —, uma parcela considerável atendeu aos apelos e usou os transportes coletivos, por terra e mar, evitando o caos que se prenunciava.

Para hoje, esse mesmo sentimento solidário é aguardado. Mesmo que isso signifique a uma faixa da população abrir mão do conforto do carro e ter que enfrentar as agruras do transporte público, com filas nas barcas e panes na SuperVia e Metrô. E mais sofrimento ainda aos trabalhadores obrigados a acordar mais cedo e se aventurar em ônibus e trens superlotados.

As obras no Porto deixarão a cidade mais linda. Mas quando é que andar de transporte de massa no Rio deixará de ser um castigo — o quebrar de ovos da omelete?

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