Por bferreira

Rio - Não gosto de dar conselhos. Apraz-me mais ouvi-los, meditar sobre eles, compará-los e lhes extrair alguma conclusão. É exatamente para ouvir conselhos, mas também para prestar conta das ações da cidade, a que se propõe nossa prefeitura ao criar o Conselho da Cidade.

Este nome abrangente é para ser isso mesmo, abrangente. Eduardo Paes imaginou uma grande reunião de personalidades cariocas para, de tempos em tempos (e muitas vezes ao ano), trocar idéias sobre todos os ramos da administração do Rio, desde obras públicas, saúde, educação até à cultura.

Há dias, participei deste último segmento no Palácio da Cidade e pude me inteirar de tudo o que já esta acontecendo e do que ainda está por vir.

Fiquei especialmente impressionado com as novas definições de projetos culturais incentivados pelo ISS. Como se sabe, a fonte principal de incentivos fiscais sempre foi a Lei Rouannet, a partir da abdicação de percentuais do Imposto de Renda Federal. A seguir, vieram os incentivos promovidos pelo Estado do Rio a partir do ICMS.

O município começou muito timidamente há anos. Agora, contudo, não apenas o volume de recursos para a produção cultural aumentou muitíssimo, mas também a metodologia de aplicação e gestão dos projetos apresentados aperfeiçoou-se, modernizou-se, tornou-se menos burocrático e mais descomplicado.

Digo isso, e daqui faço este registro de esperança, por que desde sempre nós, os produtores culturais, nos queixamos dos recursos parcos, tímidos e até ridiculamente irrisórios, para o campo essencial que é este, a face mais fraterna e consolidadora de qualquer país que se preze.

Ora, uma cidade como o Rio, capital de sempre do afeto de todo um país, apresenta suas diversidades culturais como a síntese do Brasil. E estava mesmo a merecer ações pontuais de incentivos e estímulos. Abraçar a cultura é reativar e preservar o que de melhor qualquer povo pode ostentar.

Presidente do Instituto Cravo Albin

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