Por bferreira

Rio - Chega pelo correio, como de costume, um exemplar do Jornal da Esquina, de Caratinga, uma publicação da editora Abreu. O diretor e editor é Sylvio Abreu, que conheço desde o antigo Lamas. Seu nome também está na extensa lista dos colaboradores do jornal, em companhia de Serapião Abreu, Manolo Abreu e, sem o mesmo sobrenome, alguns nomes inusitados:

Vó Mariquinha D’azibinha, Kent Khom, Neneas Rolinho, Zé Bocão, Lady Talião e “quem mais chegar”. Se todos mandassem textos para o jornal, iria faltar espaço; tem só 12 páginas, e o formato é a metade do DIA. É muito bem impresso — papel de primeira, todas as páginas a quatro cores — mas a longevidade é que espanta. A edição de outubro é de número 323, portanto o Jornal de Esquina — que é mensal — é publicado há 17 anos, uma façanha.

Mas o que me deixou pasmo foi uma matéria intitulada Histórias sobre o Cartunista Jaguar, que transcrevo na íntegra: 1- No antigo bar Jangadeiros, em Ipanema, no Rio de Janeiro, a mulher de um sujeito fortão estava dando a maior bola para o Jaguar. Das duas, uma: ou ela tinha mau gosto ou flertava com sua fama. Ele então era solteiro, mas já tinha seus traços marcantes, perdão pelo trocadilho, Jaguar (1). A verdade é que o marido flagrou aquele namoro e virou bicho. Aproximou-se de Jaguar e o chamou para a briga. Vocês não sabem, mas o cartunista foi boxeador e brigava bem (2). Jaguar não resistiu ao desafio, nem à piada, e disse para o fortão: “Vai ser sua força bruta contra minha força líquida”. É claro que a turma do deixa-disso não acreditava na força do Jaguar e separou a briga. 2- No velho Nova Capela, na Lapa, Jaguar olhava insistentemente para uma garçonete baiana (3), de bunda vistosa, a que todos encaravam com muita cobiça. Ela notou e pareceu simpatizar com ele — o Jaguar sempre deu muita sorte com mulher (4).

De modo que se aproximou: “Parece que você agradou de mim, painho”. Sem jeito, ele teve que esclarecer: “Bem, se você trouxer primeiro a comida, depois a gente conversa”. A turma ao lado ficou impressionada. Já contei muitas mentiras sobre a minha vida mas as do jornal são melhores.

1) Onde está o trocadilho? Onde está Wally? Onde está o Amarildo?

2) Boxeador? Nunca subi num ringue. E nunca saí no tapa com ninguém, tinha sempre um amigo forte para brigar por mim.

3) No Capela nunca teve garçonete, só garçom. Pelo menos disso tenho certeza.

4) Por que não me avisou naquela época, Sylvio?

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