Por bferreira
Rio - Neste fim de ano, em meio à expectativa sobre quais times seriam rebaixados no Campeonato Brasileiro de Futebol, surgiu um fato novo: o movimento Bom Senso F.C. Mobilização de cunho sindical feita pelos jogadores, em defesa de um mínimo de direitos vinculados ao exercício da profissão, sua pauta de reivindicações é: um calendário mais humano, o respeito ao período de férias, uma pré-temporada adequada; a garantia de pagamento em dia (o chamado fair play financeiro) e a participação dos atletas nos conselhos técnicos que dirigem o futebol.
A principal forma de luta do Bom Senso para chamar a atenção da opinião pública, dos clubes e da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para suas reivindicações tem sido usar o minuto inicial de cada partida para tocar a bola de um campo para o outro, sem dar início efetivamente à partida. O movimento tem tido apoio dos torcedores. A CBF, que ameaçara forçar os juízes a dar cartão amarelo a todos os jogadores que se manifestassem durante os jogos, ficou sem ação. Não há como punir alguém pelo fato de chutar a bola de um lado para o outro.
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O movimento vem romper com uma tradição de acomodação dos atletas profissionais no Brasil, cuja origem está no perfil da categoria: embora haja uma minoria muito bem paga, a maioria recebe pouco, passa por dificuldades e só tem emprego em parte do ano. Como os contratos de trabalho são individuais, cria-se uma situação propícia a saídas individuais.
Até agora, a reacionária CBF não se sensibilizou. Sequer aceitou dialogar. Mas, pela importância do futebol na sociedade, pela quantidade de investimentos que ele recebe e pelos recursos em jogo, mais dia, menos dia, a entidade vai ser obrigada a negociar.
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Quem viver verá. E, nesse dia, todos ganharão.
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Presidente da Comissão da Verdade do Rio e da Comissão Nacional de Direitos Humanos da OAB